Pode a natureza abrandar-se?

Crédito: © Rhonda O’Brien

Margaret Rogers

Furacões, enchentes, estiagens, temperaturas extremas, incêndios impelidos pelo vento, desastres climáticos mencionados frequentemente nas manchetes. Seria fácil perder a esperança se não fosse pelas notícias mais tranquilizadoras e gratificantes sobre o quanto a criação cuida de sua família humana e animal. Entra ano sai ano, a generosidade no âmbito local e global provê resgate, abrigo, alimento e outras necessidades em áreas afetadas.

Aqueles que perdem muito são os que precisam de primeiros socorros espirituais. Talvez o que eles mais necessitem seja a certeza de que o maior poder no universo é o Amor, não importando quão ruins as coisas pareçam estar. O Amor é o Princípio que sustenta e renova a vida. Deus é o Amor inexaurível que impele a solicitude de uns para com os outros. Deus é a inteligência que guia os animais a lugares seguros e fortalece o espírito humano para que se eleve acima do sofrimento. A confiança em Deus restaura a esperança e inspira novos começos.

Da mesma maneira que as vítimas de desastres climáticos encontram seu caminho para seguir em frente, esforços em conjunto diminuem e previnem o impacto de futuros acontecimentos relacionados com o clima. No caso de enchentes ou estiagens recorrentes, por exemplo, é válido pensar na implementação de práticas de construção e de uso da terra de maneira mais previdente. Estudos fundamentados em pesquisas científicas indicam que a redução da emissão de carbono é essencial para a estabilidade climática.

Pode a natureza renascer sob uma forma mais branda?
Durante milênios, pensadores espirituais vêm identificando um curso de ação indispensável para deter forças destrutivas de todo tipo, e que envolve uma radical mudança mental, de um ponto de vista a respeito da realidade, como se essa consistisse de objetos e forças físicos, para a compreensão de que ela consiste de ideias espirituais e perfeitas. Jesus descreveu essa transformação de forma simples: “Importa-vos nascer de novo” (João 3:7).

Não importa quantas vezes tenhamos ouvido essa declaração, ela representa sempre um novo território no que tange a descobrir como fazê-lo, em um determinado momento. Embora talvez pensemos no novo nascimento como um fato que acontece primariamente com pessoas, pode a própria natureza renascer sob uma forma espiritual, mais branda?

O capítulo 8 da Epístola aos Romanos, na Bíblia, aborda essa questão de uma maneira que enseja muita esperança. Indica que a natureza mudará para melhor, à medida que os seres humanos manifestarem mais de sua verdadeira identidade como filhos de Deus: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8:19–21).

Existe uma força espiritual e irresistível em ação no mundo
É comovente pensar que a natureza esteja sujeita à vaidade e um dos significados dessa palavra é corrupção. O que corromperia a beleza e a inteligência naturais, sujeitando-as à destrutibilidade? No início desse mesmo capítulo, o Apóstolo Paulo se refere à “mente carnal” oposta a Deus. A mentalidade focada na matéria não consegue perceber nem compreender o Espírito. Portanto, ela apresenta a perspectiva de que a matéria não inteligente forma e constitui o universo. Até mesmo o mais puro amor se torna um mero produto de condicionamento físico. Essa perspectiva material a respeito de todas as coisas deixa o mundo no cativeiro do acaso e da brutalidade, como quando, por exemplo, ocorre um furacão ou um ciclone.

Contudo, existe esperança. De fato, há uma força espiritual e irresistível em ação no mundo. O Cristo é a ideia espiritual da vida, que redime toda a criação da corrupção (da distorção). Paulo disse que esse “Espírito da vida”, manifestado de forma tão poderosa na vida e nas obras de Jesus, o tinha livrado da lei do pecado e da morte. Das profundezas de suas próprias lutas, Paulo sabia que essa libertação viria para todos que se empenhassem em abandonar a mentalidade material, com todas as suas características egoístas e extremadas, e seguissem o Cristo. À medida que esse renascimento da consciência humana progredir, a natureza estará incluída em seu poder transformador.

Podemos coexistir com a natureza em harmonia, sem danificá-la
Infelizmente, algumas pessoas ainda resistem à mensagem do Cristo de que a vida é inteiramente espiritual. Alguns pensam que isso significa negar o universo físico com toda a sua grandiosidade e beleza. Realmente, podemos desfrutar muito mais da natureza quando compreendemos a substância espiritual daquilo que percebemos como físico. Adquirimos a convicção de que o bem é infinitamente renovável; a coragem de abordarmos as questões globais sobre o meio ambiente, sabendo que o amor prevalecerá; a confiança de que podemos coexistir com a natureza em harmonia, sem danificá-la.

O reconhecimento de que o Espírito produz somente efeitos espirituais lança uma luz diferente sobre as Escrituras, tal como esta passagem: “Teus são os céus, tua, a terra” (Salmos 89:11). Montanhas, oceanos, a atmosfera, bem como todos os seres conscientes, são na verdade ideias espirituais incluídas na Mente divina.

Começar a pensar sobre essas formações como mentais, em vez de materiais, faz parte do nascer de novo. Isso diminui nosso medo da natureza e preocupação com a natureza. Esse estado mental não é uma fuga imaginária dos problemas que a terra enfrenta. É o mais importante movimento de libertação sobre a terra. Só a compreensão espiritual tem o poder de libertar a natureza dos intermináveis ciclos de destruição, provenientes do erro de que a matéria seja tudo. A passagem de Romanos citada anteriormente continua: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:22, 23).

Quão maravilhoso é pensar na criação como uma família unificada
Em um pequeno barco, no meio de uma grande tempestade, Jesus “repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança” (Marcos 4:39). No poder que Jesus e outros que amam a Deus exerceram sobre as condições materiais, certamente pudemos provar “as primícias do Espírito”. Além dos relatos na Bíblia, reminiscências da vida de Mary Baker Eddy e testemunhos publicados durante muitos anos nas revistas da Ciência Cristã documentam o efeito da oração para acalmar condições atmosféricas extremas.

Contudo, o mundo ainda anseia entender mais sobre esse poder redentor. Muitos de nós se perguntam: o que mais posso fazer? Uma medida imediata que cada um pode tomar é buscar uma compreensão mais profunda sobre a unidade subjacente da criação, e assim acalmar nossos temores e outras reações negativas.

Tive um pueril vislumbre dessa unidade quando assisti em 1967 à versão para o cinema do “Dr. Dolittle”. (Ao relembrar isso hoje, fico imaginando se o autor do livro não teria se inspirado no relato bíblico em que Jesus acalma a tempestade). A certa altura dessa história mágica, o doutor-que-fala-com-animais enfrenta um naufrágio durante uma viagem marítima. Todos os demais que estão a bordo ficam apavorados, mas o doutor alegremente lhes assegura que o peixe que está no oceano certamente os resgatará (e eles são realmente resgatados)! Quão maravilhoso é pensar na criação como uma família unificada, que cuida dos seus.

O amor de Deus enche todo o espaço
Esse pensamento puro pode se desenvolver em uma compreensão científica do universo como uma expressão indivisível do Bem. Inúmeras vezes, tenho descoberto que a oração fundamentada nessa compreensão me proporciona calma em situações climáticas ameaçadoras. Certa vez, viajava em um avião que se aproximava para aterrissar em meio a uma terrível tempestade com relâmpagos. O avião estava balançando, atingido pelos mais fortes ventos que já havia visto durante um voo. Os passageiros pareciam quase paralisados de medo. Foi necessário um grande esforço em oração para anular as apavorantes cenas que me vinham à mente e volver meus pensamentos a Deus.

Às vezes, quando estou amedrontada, começo a orar dizendo: “não estou com medo e eis a razão”. Então, reasseguro-me assim: “Deus é o bem infinito que se expressa em mim e em todo o universo. Todas as forças refletem o único poder divino que é o Amor. A criação do Amor não é autodestrutiva. Não importa que perigo pareça iminente aos sentidos físicos, o Cristo está exatamente aqui dizendo que não há nada a temer no universo de Deus, e não existe outro universo. O amor de Deus enche todo o espaço e é a única coisa que está acontecendo. O Amor mantém a mim e a todas as outras formas de vida intactas e em harmonia para sempre”.

Orei até que o avião finalmente tocou o solo. Aconteceu que o piloto havia abortado a primeira aterrissagem e foi orientado a aterrissar em outro aeroporto próximo, em que pousamos em segurança.

Quando passamos por repetidas experiências de superação do medo e do perigo, mediante a compreensão da unidade e bondade do ser, começamos a perceber quão poderosa é essa compreensão e a confiar nela. Essa confiança também faz parte do nascer de novo. Ao invés de pensarmos em termos de sobreviver ou lutar contra as forças destrutivas, torna-se mais natural enfrentá-las com a compreensão de que são concepções equivocadas do que realmente está presente. A natureza é harmoniosa e manifesta o Amor. Isso não significa que nós imediatamente deixaremos de preparar clareiras contra incêndios ou de empilhar sacos de areia quando necessário, mas que reconheceremos que o poder real por trás desses esforços é a compreensão do Princípio divino que controla tudo.

Em vez de ficarmos frustrados com os elementos da natureza, podemos incluí-los em nossa paz
O medo não é a reação única que diminui diante da verdade da unidade da criação. Violentas condições climáticas às vezes provocam raiva e frustração. Quanto mais percebermos a realidade como espiritual, mais descobriremos que permanecemos calmos em todas as situações. A maioria de nós diria que temos maneiras de chegar a esse ponto. Contudo, cada passo nessa direção é uma evidência da “manifestação dos filhos de Deus”, ou seja, o aparecimento da nossa identidade espiritual que reflete o domínio de Deus.

Raras vezes em seus escritos Mary Baker Eddy usou a frase “o homem inclusive o universo”. Essa é uma força de expressão. Em Ciência e Saúde ela definiu o homem desta forma: “O homem é idéia, a imagem, do Amor; não é físico. Ele é a idéia composta que expressa Deus e inclui todas as idéias corretas; é o termo genérico para tudo o que reflete a imagem e a semelhança de Deus…” (p. 475).

Se incluirmos a ideia correta a respeito da natureza em nossa consciência, não podemos ser vítimas dela. Ao contrário, nossa serenidade estará refletida em um clima mais calmo, nossa integridade em uma atmosfera mais limpa. Em vez de ficarmos frustrados com os elementos da natureza, podemos incluí-los em nossa paz.

Sim, a natureza está renascendo, da mesma forma que nós. Uma grande bonança pode ser alcançada a cada vez que volvermos nossos pensamentos à unidade e à totalidade do Espírito.

Margaret Rogers é Praticista e Professora de Ciência Cristã. Também é membro do Conselho de Diretores da Ciência Cristã e atualmente mora em Boston, EUA.

 Fonte: http://www.arautocienciacrista.com/arauto/articles/0709b.jhtml
Acesso em: 17/03/2013
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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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