“União de corações” – floresce a harmonia no casamento

 Kevin Graunke

Há uma ampla discussão ocorrendo no mundo todo, na mídia e nos milhares de sites e blogs na Internet, sobre o que promove o sucesso ou fracasso de um casamento. Quão amplo seria esse debate? Todos os dias, é possível encontrar pelo menos algumas centenas de histórias na mídia mundial sobre o tema “casamento bem-sucedido”; e há mais de 151 milhões de referências na Internet.

Isso surpreende? De certa forma não, tendo em vista nossa atual conectividade global instantânea. Os assuntos vão desde opiniões divergentes sobre educação dos filhos, problemas financeiros (inclusive como enfrentar o desemprego de um dos cônjuges), sexo, comunicação com o cônjuge que serve nas forças armadas. Podemos tentar vários temas que sempre haverá assunto. Poderíamos passar anos, literalmente, lendo inúmeros conselhos sobre esse tema e, então, tentar, mediante absoluta determinação, fazer com que nosso casamento dê certo.

A maioria dos casamentos começa com grande expectativa de êxito, com promessas de amor e fidelidade mútua, de valorização do lar e da família, e essa é certamente uma forma maravilhosa e apropriada de se começar. O compromisso do casamento, a dedicação que se requer de ambos os parceiros, marido e mulher, para que ele verdadeiramente dê certo, está fundamentado em um casal unido, não em dois indivíduos com pontos de vista diferentes.

Casamento é uma qualidade profundamente espiritual do pensamento e da vida

Entretanto, existem elementos desse compromisso que frequentemente passam despercebidos no mundo complexo e cada vez mais exigente de hoje, a perseverança, a devoção e o crescimento espirituais.

Certamente a característica da união, estar unido em um acordo para um propósito comum, é o fundamento para a harmonia em todos os relacionamentos humanos, quer seja nos negócios, no governo, nos esportes, na educação ou no nosso lar. Mas, no casamento, a união é infinitamente maior, é uma qualidade profundamente espiritual do pensamento e da vida; a plena e abnegada combinação e união de espírito e propósito, amor e compromisso.

Não faz muito tempo, nossa filha assistiu ao casamento de uma amiga e nos trouxe um verso que o pastor havia compartilhado, e que alude a essa dimensão espiritual mais profunda:

“Dois como vocês, como uma magistral engrenagem
Não podem ser divididos nem separados um do outro,
uma vez que concordaram em que a vida é a única vida
para sempre unidos, como uma asa necessita da outra asa
e um remo do outro remo”

Essas frases, do poema de Robert Frost, “The Master Speed” (A Magistral Engrenagem), escritas para comemorar o casamento de sua filha, Irma, com John Cone, falam de igualdade e unidade, não um cônjuge dominando e o outro se submetendo, mas ambos vivendo, amando e progredindo juntos. Ao olhar para o verso de Frost, lembro-me de duas revelações espirituais vitais da Fundadora desta revista, Mary Baker Eddy. Elas são do capítulo “O Matrimônio”, que consta de seu livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A unidade de espírito dá novas asas à alegria, senão as asas derreadas da alegria se arrastam no pó” (p. 58), e “O casamento deveria significar uma união de corações” (p. 64).

Faltei a datas e eventos importantes da família, e minha esposa passou muitas noites e fins de semana em casa sozinha com nossas filhas

Essa “união de corações”, incondicional e completa, é o fundamento espiritual sobre o qual a vida conjugal bem sucedida tem de ser estabelecida, se for para permanecer. Os dois parceiros compartilham igualmente da construção sobre esse fundamento. O casamento não pode criar uma união de corações; isso precisa ser parte integrante na vida dos dois parceiros antes de dizerem o “Sim”. Falando da perspectiva de quase 35 anos de casamento com minha linda esposa, Bonnie, tenho constatado como essa união precisa estar acima daquele cenário de extremo lugar-comum, em que duas pessoas vivem como se fossem companheiros de dormitório, cada um buscando seu próprio propósito, carreira e interesses, de maneira independente, só conseguindo tempo um para o outro entre uma prioridade e outra.

Um exemplo disso ocorreu logo no início do nosso casamento, quando nossas duas filhas eram ainda muito pequenas. Fiquei fascinado em ser ator amador em diferentes grupos teatrais comunitários. Durante uns dois anos, fiz testes e fui aprovado para vários papéis, em rápida sucessão. Ensaios noturnos, períodos prolongados de atuações e as inúmeras festas do elenco de atores eram algo novo e empolgante, mas somente para mim. Elas me separavam do meu lar e da minha família em uma época em que também tinha de viajar a negócios. Como resultado, faltei a datas e eventos importantes da família, e minha esposa passou muitas noites e fins de semana em casa sozinha com nossas filhas.

Lentamente (talvez com certa relutância) comecei a entender que havia algo muito errado nessa situação. Embora minha esposa e eu nunca tivéssemos realmente conversado sobre minha falta de atenção ao lar, à família e ao nosso casamento, ela deixou claro que ela e nossas filhas estavam seguindo em frente, e que dependia de mim fazer parte ou não do progresso delas.

Uma união de corações completa requer um compromisso abnegado de viver verdadeiramente como se fôssemos um só

Não houve uma cena memorável, no palco ou fora dele, que tivesse mudado meu modo de agir, mas esta declaração de Ciência e Saúde de fato brilhou como um holofote: “…o desejo errante de divertimentos incessantes fora do círculo do lar é mau augúrio para a felicidade conjugal. O lar é o lugar mais querido da terra, e deveria ser o centro, mas não o limite, dos afetos” (p. 58). Não muito tempo depois, o grau de satisfação que eu achava que teria com o grupo teatral começou a fenecer. O “bichinho da dramaturgia” parou de me picar. Passei a ocupar novas áreas em minha carreira e adquiri um senso mais profundo, mais harmonioso e mais unificado de casamento e lar.

Isso não quer dizer que um casal nunca deva ter seus interesses, hobbies e atividades individuais; tanto minha esposa quanto eu ainda os temos, até hoje. Mas a questão é: se esses interesses dividem a convivência, retirando um dos cônjuges da equação com muita frequência e por um período de tempo demasiado longo, o relacionamento pode esmorecer. Não importa quão humanamente afetuosos ou dedicados os cônjuges possam ser um com o outro, uma completa união de corações exige um compromisso abnegado de viver verdadeiramente como se fossem um só, viver para glorificar a Deus em cada palavra e ato, a todo o momento, independentemente das circunstâncias e aparências humanas. Então, o casamento começa a se tornar uma parceria indestrutível com o próprio Amor divino.

Uma questão relacionada a isso com a qual hoje em dia muitos casais têm de se defrontar é: O que ocorre se um dos cônjuges, ou talvez ambos, não estiver tão interessado em glorificar a Deus? Um casamento pode dar certo, mesmo quando há perspectivas divergentes sobre espiritualidad e religião, ou talvez nenhuma perspectiva espiritual ou religiosa significativa.

Elevar o pensamento um do outro apenas acima das boas qualidades humanas significa que não estamos realmente vendo um ao outro como Deus nos vê

Certamente, nunca é tarde demais para se descobrir alguma nova qualidade, talento ou dom para amar e cultivar em um dos cônjuges. Da mesma forma, nunca é cedo demais para se comprometer a buscar constantemente o bem um no outro, para amá-lo e valorizá-lo. Com toda certeza podemos e devemos cultivar o que há de melhor um no outro individualmente. Devemos valorizar as qualidades, os talentos e os dons que ambos trazem para o casamento.

Entretanto, posso também dizer, por experiência própria, que elevar o pensamento um do outro apenas acima das boas qualidades humanas significa que não estamos realmente vendo um ao outro como Deus nos vê, ou seja, refletindo em igual medida a luz pura e substancial do Espírito. Mediante o amar e o viver espiritualmente fundamentados, o casamento adquire uma estabilidade e harmonia que não seriam possíveis se o casamento fosse visto por uma perspectiva estritamente humana. Ao elevarmos nosso coração e nossa vida a Deus, vivenciamos a alegria do verdadeiro compromisso para com tudo o que é duradouro e espiritualmente bom, em todo o vasto espectro da vida humana, incluindo o casamento.

Referindo-se à declaração da Bíblia (Gênesis 1:26, 27), de que somos criados à imagem e semelhança de Deus, o Apóstolo Paulo escreveu como cada um de nós deve “ser constantemente renovado no espírito da sua mente [ter uma renovada atitude mental e espiritual] e se revestir da nova natureza (o eu regenerado) criado à imagem de Deus [à semelhança de Deus], em verdadeira retidão e santidade” (Efésios 4:22–24, Versão Ampliada da Bíblia). Ciência e Saúde acrescenta: “A união dos sexos passa por terrível discórdia. Para alcançar a Ciência Cristã e sua harmonia, deve-se considerar a vida mais metafisicamente” (p. 65).

Na santa presença do Amor percebemos a força divina e a eterna graça

Ao ver nosso cônjuge todos os dias com essa “renovada atitude mental e espiritual”, discernimos mais a luz crística do verdadeiro ser, tanto a do cônjuge como a nossa própria. Adquirimos mais da verdade acerca da identidade espiritual, muito além da mera personalidade, bondade e carinho humanos. Reconhecemos que quaisquer traços, que sejam menos do que afetuosos, podem ser transformados e iluminados sob a luz da Verdade, da Vida e do Amor. Se os dois cônjuges estão verdadeiramente dispostos a ver um ao outro sob essa luz metafísica, sempre renovada, eles descobrem que não existe nenhum obstáculo intransponível para a harmonia, nenhuma diferença irreconciliável que possa desunir.

As verdadeiras concessões que se fazem em um matrimônio não significam perder algo; significam realmente uma profunda generosidade de espírito que se dá ao outro liberalmente, porque estamos celebrando a plena natureza divina do homem e da mulher. O verdadeiro compromisso do casamento não significa ter de tolerar qualquer atrito ou reação degradante entre personalidades humanas. Ao contrário, nós nos comprometemos a reconhecer diariamente nosso esposo ou esposa e a nós mesmos como a expressão da Alma, Deus, ou seja, o homem e a mulher espirituais, a verdadeira natureza de cada um de nós.

Ainda estou aprendendo que a chave da verdadeira e duradoura harmonia no casamento é se elevar a uma altitude divina, cada vez mais alta e mais ampla, a um senso de amor verdadeiro e permanente: o Amor divino. Essa sagrada união com a fonte de todo o bem, essa unidade indestrutível com o Amor divino, Deus, nunca está escondida, forçada ou mantida apenas pelas aparências. Ao contrário, ela abre nosso coração para sermos genuinamente tocados pelo Cristo, a verdadeira expressão do amor que Deus tem por nós. Na santa presença do Amor, perceberemos em nossos corações unidos tamanha força divina e graça eterna, que a harmonia em nosso casamento será natural, duradoura e sempre presente.

Kevin é Praticista, Conferencista e Professor de Ciência Cristã, e mora em Oconomowoc, Wisconsin, EUA. 

 

Fonte: site do Arauto

Acesso em 21/04/2012.

Anúncios

Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s