O PODER DA GRATIDÃO

Palestra proferida em 1996 por Myrtle Smith, de Belfast, Irlanda do Norte e gravada em fita cassete

Tradução Livre

Estou muito agradecida de poder estar com os Srs. Hoje para compartilhar algumas idéias sobre o poder da gratidão. Quando eu era jovem e lia muito a Bíblia, pensava que Deus só poderia ser muito vaidoso ou muito temeroso, porque sempre pedia que nós louvássemos o seu nome porque várias vezes pedia que o glorificássemos, o enaltecêssemos, e que lhe rendêssemos graças. Perguntava-me porque nos pedia que o louvássemos o tempo todo. Será que sofria de insegurança? Ele tinha necessidade disso? Só quando comecei a entender o poder da gratidão é que compreendi o que Ele fazia por nós. Pedia a nós que tivéssemos gratidão, porque quando sentimos gratidão colocamos em ação um poder em nossa experiência, um poder maravilhoso.

Notarão que durante toda esta palestra repetirei várias vezes: “O pássaro canta antes do amanhecer”. Fico encantada ao refletir sobre isso. Tendemos a imaginar que primeiro amanhece o dia e depois os pássaros cantam, mas é o contrário que ocorre, primeiro os pássaros cantam e depois o dia amanhece. Os pássaros começam a cantar a noite no momento de maior escuridão, e nós podemos tirar uma lição disso. Quando atravessamos dificuldades, faríamos bem em lembrar que “O pássaro canta antes do amanhecer”. Se começarmos a cantar louvores a Deus, a escuridão desaparecerá. A gratidão ajudou-me diversas vezes em minha vida e, agora, gostaria de compartilhar algumas dessas experiências com os Srs.

Desde que comecei a estudar a Ciência Cristã, sinto-me muito grata pela celebração do Dia de Ação de Graças. Esta celebração era particularmente uma tradição americana, mas graças a Mary Baker Eddy a lição sermão dedicada a esse dia é lida no mundo todo. Por isso, quando meus filhos ainda eram pequenos, por mais pobre que fôssemos, nós sempre fazíamos uma ceia especial no Dia de Ação de Graças para, juntos com todos dos Estados Unidos, darmos graças.

Em uma ocasião de final de férias escolares, quatro dos meus filhos teriam que voltar às aulas da Escola de Cientistas Cristãos que freqüentavam na Inglaterra. Eu não tinha o dinheiro para comprar as roupas que necessitavam e nem sequer para pagar o aluguel de nossa casa. Estava separada de meu marido e ele havia deixado de trabalhar só para não ter que nos dar qualquer dinheiro. Por isso o único dinheiro com que contávamos era o que eu ganhava como praticista que na Irlanda do Norte não era muito. Embora eu sempre orasse por toda esta situação, nesse dia encontrei-me muito deprimida.

Nessa manhã minha filha trouxe-me o café na cama, junto com uma rosa num pequeno vaso e disse-me: “Mamãe, hoje é Dia de Ação de Graças, porque não nos ocupamos com pensamentos de gratidão?” Respondi que ela tinha razão, que era aquilo que tínhamos que fazer. Então todos começamos a pensar no que tínhamos para estar agradecidos. E eu fiquei agradecida porque ainda me restavam na carteira 5 libras, que equivaliam a 10 dólares. Então anunciei aos meus filhos que íamos fazer compras. Compraríamos frango e faríamos uma linda ceia. Tudo sugeria que me apegasse a essas 5 libras, porque precisaria delas, mas decidi que por ser Dia de Ação de Graças, nós íamos celebrar com o resto do mundo. Compramos o pão que necessitávamos e conversamos muito sobre tudo que tínhamos para agradecer – pelo lindo dia, pelo canto dos pássaros – para onde olhávamos, encontrávamos motivos para estarmos agradecidos. Quando chegamos em casa, minha filha recordou-se da história da Bíblia em que Eliseu diz à viúva: “Declara-me o que tem em casa” (2 Reis 4:2). Por isso, ela e minhas outras duas filhas começaram a procurar o que tínhamos em casa. Encontraram farinha, manteiga e fizeram pão caseiro e biscoitinhos para a sobremesa. Meu filho foi ao jardim e apanhou as últimas rosas. Minhas filhas foram colocar a mesa, e enquanto eu as observava, me senti muito grata, porque isso era uma das coisas que haviam aprendido na escola – a maneira correta de colocar uma mesa. Meu filho colocou as rosas no centro da mesa e, juntos, tivemos uma linda ceia. Foi uma feliz ceia de Ação de Graças. No dia seguinte recebi dois cheques que não esperava e pude pagar as suas passagens para voltarem às aulas, pudemos ainda comprar sapatos e tudo de que necessitavam para a escola. E isto demonstrou para mim, uma vez mais, o poder de ação da gratidão.

Quando morava em outra casa, também num Dia de Ação de Graças que estava extremamente frio, com tudo congelado, eu me encontrava sem carvão para a calefação e com um cano quebrado. Além de alguns sacos gigantescos de cereal, não havia comida em casa. O leiteiro passava todas as manhãs para entregar o leite, mesmo sem poder pagá-lo há duas semanas. Por isso, durante mais de duas semanas, vivi de leite quente e cereal de trigo, esse era o meu desjejum, almoço e ceia. Decidi ficar trabalhando na cama, que tinha um cobertor elétrico e era o único lugar quente da casa. Ali me sentava o orava para os meus pacientes.

Quando despertei nesse Dia de Ação de Graças, sentia comiseração própria, e me pus a chorar imaginando que as coisas nunca melhorariam para mim. Mas por ser Dia de Ação de Graças, tinha que encontrar motivos para agradecer. Senti-me agradecida pelo cereal de trigo, pelo leiteiro continuar deixando leite na porta da minha casa; pelo cobertor elétrico; pelo telefone que possibilitava às pessoas falarem comigo; por minha privacidade, pois ninguém conhecia as circunstâncias que estava atravessando; fiquei profundamente agradecida pela água. E durante toda minha vida, diariamente, sinto-me grata pela água. Que faríamos sem água? Nos banhamos em água, bebemos água, cozinhamos nossa comida em água, lavamos nossa roupa com água, dependemos muitíssimo da água. Agradeci por todas estas coisas e logo depois, ao meio-dia, minha melhor amiga, que não sabia nada sobre minha situação, tocou a campainha e trazia na mão um peru e duas dúzias de ovos. Estava em sua hora do almoço. Disse-me que estava preparando algumas coisas para a ceia, quando ocorreu-lhe que eu poderia querer usar algumas. Quis saber por que fazia tanto frio dentro de casa, já que estava mais frio dentro do que fora. Atribuí o fato ao cano quebrado. Então perguntou se eu tinha carvão, como não respondi, ela foi verificar o lugar onde ele deveria estar, encontrou-o vazio e bem varrido. Então falou que andara se perguntando qual presente deveria dar-me no Natal e que se dava conta que o melhor presente seria uma tonelada de carvão, e que estaria chegando em duas horas. Partiu e eu fiquei muito agradecida por tudo isso.

Logo tocou novamente a campainha. Na porta estava o dono de uma granja, cuja mãe eu estivera ajudando por meio de oração e que não havia conseguido pagar-me. Por isso ela mandou que ele me entregasse uma grande bolsa com batatas, repolhos, cenouras, cebolas e tudo mais que cultivava na granja. Eu sentia minha copa transbordando.

O Sr. Se foi e uma hora depois tocou novamente a campainha. Era uma mulher, cuja a filha eu havia ajudado e que tampouco havia podido me pagar. Andara preparando alguns pratos para a ceia, pastéis, tortas, frios, bacon, salsichas, um frango, que lotaram o meu congelador. Eu vi o poder da gratidão antes que aparecesse a luz. Tinha uma vizinha de idade avançada que vivia só e eu sabia que ela sofria com a solidão, por isso convidei-a para cear comigo essa noite. Acendi o fogo, assei o peru e asseguro-lhes que, depois de passar semanas sem provar nada além de cereal de trigo com leite, nunca nada foi tão saboroso quanto essa ceia. Tudo estava realmente excelente. Conto-lhes esta história para ilustrar o fato de que “O pássaro canta antes do amanhecer”.

Em outra ocasião, quando já vivia nessa mesma casa, o gerente do banco telefonou porque queria ver-me, pois eu estava com um saldo devedor muito grande. Fiquei muito assustada e liguei para a minha melhor amiga, que era a única que sabia do meu problema. Confessei a ela que estava aterrorizada diante da perspectiva de enfrentar esse homem. Não tinha dinheiro para pagar o aluguel, não tinha dinheiro pra trazer meus filhos para casa quando as aulas terminassem, eu não tinha dinheiro algum. Minha amiga disse que iria orar por mim. Quando eu já estava de saída, ela me telefonou dizendo que gostaria de ler para mim o trecho da Lição Sermão daquela semana sobre a mulher virtuosa. Está em Provérbios 31 e no final diz assim: “Dá-lhe do fruto das suas mãos, e a louvarão em público por suas obras.” Emocionei-me por saber que minha amiga tinha uma opinião tão boa de mim.

A entrevista com o gerente do banco foi muito difícil. Disse que meus filhos não deviam freqüentar aquela escola particular na qual estavam, que eu gastava mais do que a minha receita permitia, que eu não podei arcar com todos os gastos de viagem da escola para casa, que não tinha dinheiro suficiente para os gastos da casa, que tinha que dar-me conta de que ganhava muito pouco e que não podia fazer todas as coisas que fazia. Suas palavras foram tão duras que quando saí, caí em prantos. Sentia-me humilhada, envergonhada e não conseguia pensar no que mais poderia fazer, porque já colocava o melhor de mim em tudo o que eu fazia. Foi então que recordei que “O pássaro canta antes do amanhecer” e por isso em silêncio agradeci a Deus por ter uma amiga que naquele momento estava me apoiando, orando por mim. Recordei as palavras que ela tinha citado. “Dá-lhe do fruto de suas mãos, e a louvarão em público por suas obras”.

Então a porta do Banco abriu e saiu o gerente. Segurou-me pelo ombro e fez-me entrar em sua sala novamente. Disse que não havia dormido na noite anterior por minha causa. Que admirava-me por estar criando 5 filhos sozinha, sem a ajuda de meu marido, e que o estava fazendo muito bem. Que estava dando-lhes uma excelente educação naquela escola da Inglaterra, e que nunca pedia nada para mim… e conclui dizendo que ia defender-me e  ajudar-me, e prometeu que ia encarregar-se pessoalmente de que eu sempre tivesse dinheiro para pagar o aluguel da minha casa e para trazer os meus filhos da escola para casa. Quando saí, sentia-me flutuando no ar e pensei na veracidade das palavras da Bíblia que a minha amiga havia citado. O gerente estava reconhecendo o meu ser à luz da verdade da Ciência Cristã. Ele sabia que eu orava pro cada situação que se apresentava. Pude pagar em pouco tempo o saldo devedor e as circunstâncias tornaram-se mais fáceis.

Uma vez li a história de uma mulher que estava num campo de concentração durante a Segunda Guerra mundial. Era holandesa. Ela e sua irmã foram para a prisão levando de contrabando uma Bíblia. Foram colocadas em uma cela só pra elas, mas o colchão estava tão cheio de pulas que não podiam dormir nele. Um dia, quando se puseram a orar, ela sentia-se muito deprimida e sua irmã lhe propôs darem graças, e começaram a procurar o que tinham para agradecer. Sua irmã agradeceu a Deus pelas pulgas. Ela disse: “sinto não poder fazer o mesmo, eu não agradeço a Deus pelas pulgas.” A irmã insistiu em que deveriam agradecer a Deus por tudo., por cada tribulação, então, por fim, resignada, agradeceu a Deus pelas pulgas. Depois colocaram mais duas mulheres na cela junto com elas, e notaram que as sentinelas não se aproximavam daquela cela porque sabiam que estava cheia de pulgas. Por isso as quatro puderam compartilhar a Bíblia nessa pequena cela. Uma vez mais: “O pássaro canta antes do amanhecer.” Elas puderam contar histórias maravilhosas sobre a maneira que Deus as havia ajudado.

Há alguns anos estive orando por uma mulher que tinhas três filhos, dois adolescentes e um menor com 11 anos. Ela tinha uma enfermidade muscular que a impedia de andar e utilizar seus braços. Estava doente há 7 anos. Não era Cientista Cristã, e seu padrinho de casamento, o melhor amigo de seu marido, era seu médico. Este amigo trouxe vários especialistas de Londres para a ajudarem, mas a única coisa que conseguiu foi vê-la piorar. Há 18 meses achava-se prostrada na cama.

O marido desta mulher escreve para o The Christian Science Monitor. Ele é jornalista. Foi indicado por mim para este emprego, na época o presenteei com o livro texto. Passaram-se 17 anos desde aquela ocasião. Durante esses anos nunca abriram o livro texto da Ciência Cristã. Um dia telefonei para agradecê-lo por um artigo que tinha escrito no Monitor e sua esposa atendeu o telefone. Falou que seu marido estava no jardim e que ela não podia levantar-se para chamá-lo porque estava confinada na cama. Por cortesia perguntei como ela estava e ela se pôs a chorar. Disse que não podia mover-se da cama e por fim perguntou se eu acreditava que a Ciência Cristã poderia ajudá-la. Afirmei que estava segura que podia, por isso, ela convidou-me a ir visitá-la.

No dia seguinte fui à sua casa e o marido recebeu-me na porta, dizendo: “Myrtle, por favor, não prometa a ela algo que não possa cumprir. Está cansada de promessas e em nenhuma delas a cura se realizou, ela não agüenta mais e, francamente, nem eu. Quando volto diariamente do trabalho para casa, tenho que lavar roupa, fazer as compras, ocupar-me de nossos filhos. E eu sou um jornalista ocupado, tenho um trabalho de tempo integral, trabalho com o público e esta situação é muito, mas muito difícil.” Então, levou-me ao quarto de sua esposa. Ela era uma mulher muito alta, de um metro e oitenta, mas estava tão magra que não podia sequer erguer a cabeça. Tive que segurar sua cabeça e vira-la para que ela pudesse me ver. Começou a falar sobre todas as vezes que havia ido para o hospital, sobre tudo o que havia ocorrido com ela e quando finalmente puder dizer-lhe algo, mencionei algumas das promessas da Bíblia, tais como: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). “Retribuir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto…” (Joel 2:25). Pediu que eu as escrevesse e colocasse em seu guarda-roupa para que pudesse vê-las e acrescentou que queria ver-me no dia seguinte. Voltei três dias seguidos, e ela não conseguia parar de falar de seu sofrimento e de tudo o que havia passado… até que perguntei-lhe o nome de sua enfermidade e disse-me que era algo muscular que começava com M, a sigla eram MIM* e disse-lhe que tinha razão, que por três dias a única coisa que havia feito era falar de si mesma. Disse que esse MIM do qual falara, não era sua identidade como Deus a conhecia, e que se pudesse se manter em silêncio por alguns momentos, eu iria falar sobre essa sua identidade, desse MIM que Deus conhecia e como Deus a via. Prometeu manter-se em silêncio. Comecei dizendo: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” (Gen. 1:31) e que ela estava incluída ali, que Ele a via em toda a beleza e perfeição, com as quais a havia criado.

Durante duas semanas fui visitá-la e em pouco tempo começou a responder ao tratamento. Foi então, que seu marido teve que ir a uma reunião em Bruxelas. Chamou-me para dizer que não sabia o que fazer com Hilary. Ela não queria voltar ao hospital, e ele não podia deixá-la só. Convidei-a para ficar em minha casa e seu marido ficou muito agradecido. Preparei um quarto para ela e todos os dias declarávamos a Verdade, líamos, estudávamos e sua resposta ao tratamento era muito lenta. Então, um dia perguntou-me porque a cura era tão lenta. Disse: “se Deus vai curar-me, porque não se apressa então o faz logo? Porque tenho essa enfermidade há tantos anos? Porque há pessoas, como as do Exército Revolucionário Irlandês, que caminham sãs pela rua e eu não posso nem sequer desfrutar da criação de meus filhos. Parece muito injusto.” Assegurei-lhe que tínhamos que ser gratas até pelo pequeno progresso que havia obtido, que tínhamos que expressar gratidão e comecei a lhe contar sobre o poder da gratidão. Depois a deixei com uma quantidade de publicações antigas e quando voltei, umas duas horas depois, encontrei-a muito entusiasmada. Contou que havia encontrado um Sentinel com um artigo escrito por Peter Henniker-Heaton, intitulado “Gratidão. Não Existem Motivos Para Queixar-se.” Esse artigo mencionava muitas praças, a Praça de Trafalgar, a Praça Times, a Vermelha e todas as praças das grandes cidades do mundo, e ainda dizia “mas este ano, em Dallas, Texas, foi inaugurada um Praça de Ação de Graças, na qual todos podem orar para o Deus em que crêem e para dar graças.” E neste artigo ainda: “a gratidão entendida espiritual e cientificamente é tão poderosa que se toda a cidade possuísse e usasse o potencial de uma Praça de Ação de Graças, de imediato se resolveriam muitos dos urgentes problemas urbanos de nossa época.” Continua mencionando as várias vezes em que nosso Mestre deu graças e ao final diz: “a comemoração anual de Ação de Graças, observada em muitos países, lembra-nos de colocar em

* Neste relato, originalmente feito em espanhol, a palavra “MI” é empregada com duplo sentido: como pronome pessoal e também com a sigla da enfermidade. Nesta tradução, para mantermos o sentido original do relato, modificamos a sigla da enfermidade para “MIM”.

ação todos os dias do ano o poder da gratidão, gratidão pelo bem obtido no passado e pelo bem futuro que nos espera. Tendo ou não uma Praça de Ação de Graças em nossa cidade, todos nós podemos manter uma Praça de Ação de Graças em nosso coração”. Então propus a Hilary que inaugurássemos uma Praça de Ação de Graças em nossos corações. Por isso decidimos escrever uma lista de agradecimentos e ela escreveu muitas folhas, e eu observei que seu progresso se acelerou a partir daí. Passados 5 dias, seu marido voltou e ela desceu as escadas correndo para recebê-lo. Como não se sentia suficientemente segura para voltar para sua casa, perguntou-me se poderia continuar na minha por mais uma semana, concordei. Partiu dirigindo seu carro pela primeira vez em dois anos. Nesta noite o marido levou toda a família a um grande centro comercial e cada um comprou o que quis, depois foram a um restaurante. Pai e filhos deram-se as mãos, antes de comer, para agradecerem a maravilhosa cura.

E se isso pode ocorrer a uma pessoa, não seria maravilhoso se tivéssemos uma Praça de Ação de Graças em Belfast? Se a gratidão pode fazer tanto por uma pessoa, imagina o que pode fazer por uma cidade. As pessoas podem deixar de se sentir dignas de pena e direcionar seus pensamentos para agradecer tudo o que têm – pela beleza do país, pela calidez e amabilidade do seu povo. Hilary e seu marido acharam uma grande idéia. Três semanas depois eu ia para Boston e prometi-lhes averiguar algo sobre a Praça de Ação de Graças.

Uma vez em Boston, perguntei à responsável pelo departamento de Filiais e Praticistas, se sabia alo sobre essa praça. Disse-me que conhecia pormenores porque havia sido criada em Dallas, e que a pessoa que teve a iniciativa de criar essa praça, tinha freqüentado a mesma Escola Dominical que ela. Colocou-me em contato telefônico com esta pessoa. Peter Stewart, que ficou muito contente em saber que eu era da Irlanda do Norte. Compraram-me uma passagem para eu ir visitar essa praça. Fiquei encantada por ela estar localizada no coração de Dallas. Rodeada de enormes edifícios, possui uma linda cascata, e pessoas sentam-se na praça para almoçar. Tem um edifício em forma de espiral, em cujo topo existe uma pequena capela onde todos podem entrar pra dar graças. Há um grande aquário onde as pessoas depositam cartões com os motivos pelos quais estão agradecidas. Esses cartões podem ser lidos. Li o de uma viúva que expressava sua gratidão por ter sido casada com seu marido durante 5 anos já que muitas mulheres vivem 50 anos casadas com um homem mau. Uma jovem recém casada agradecia por haver casado naquele dia… E havia muitos outros.

Durante 5 anos tentei despertar o interesse das pessoas da Irlanda do Norte para a construção de uma Praça de Ação de Graças. Enviei carta aos jornais, convidaram-me para falar duas vezes no rádio local sobre o Dia de Ação de Graças, mas não obtive muita atenção. Só que sabia que a idéia era correta e que eu já havia plantado a semente. O interessante é que exatamente antes do “cessar fogo”, veio até mim um grupo de pessoas muito importantes para dizer que gostavam da idéia de uma Praça de Ação de Graças e que acreditavam ter chegado a hora de termos uma na Irlanda. Outra vez, “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Não vou dizer que esse “cessar fogo” foi o resultado dessa breve reunião em minha casa, na qual fizemos nossos cartões de gratidão, mas sei que ajudou. Agora já tenho outros interessados e penso que a idéia está se desenvolvendo e que em breve teremos um lugar para essa Praça e vamos começar a arrecadar fundos. Essa praça será muito especial, porque quando uma pessoa vai a uma igreja na Irlanda do Norte todos sabem a que religião pertence, ou irá a uma igreja católica ou a uma protestante. Quando existir uma Praça de Ação de Graças, nada saberão sobre a religião da pessoa que ira dar Graças a Deus. Será um bom lugar para reunir todos e para aprender sobre culturas distintas, sobre como podem ajudar-se mutuamente… poderá ser usada para vários fins.

Agora quero falar-lhes um pouco sobre Peter Henniker-Heaton, o autor do artigo. O que aconteceu me ensinou que nossa noção de tempo é completamente equivocada. Eu havia dado ao casal o livro texto da Ciência Cristã, que ficou guardado na estante por 17 anos antes de o lerem. Eu acreditava que quando damos o livro a uma pessoa, se ela não o lê em até 3 meses, então podemos esquecer o fato, porque não o lerá nunca mais. Essa era minha percepção do tempo. Esse artigo de Peter Henniker-Heaton foi escrito uns 18 ou 20 anos antes de minha amiga o ler, mas a verdade que continha continuava a ser uma bênção e continuava fazendo bem.

Peter Heinneker-Heaton conhecia muito bem o poder da gratidão. Sua cura demorou 10 anos. Durante a guerra teve que deixar a Marinha, porque teve paralisia nas pernas. Não saía da cama e sua esposa que era cantora de ópera e solista, teve que ir trabalhar para pagar o aluguel e para mantê-lo. Ainda quando a cidade de Londres estava sendo bombardeada, ela tinha que deixá-lo sozinho ou em outras ocasiões, tinha que carregá-lo nas costas 3 andares pelas escadas, para chegarem ao refúgio daquela área. Ele teve que superar escaras que se formavam por estar sempre na cama, e sua condição física piorou tanto que nem sequer conseguia virar as páginas de Ciência e Saúde. Alguém fabricou um aparelhinho para ajudá-lo a virar as páginas do livro e então ele decorou o livro texto.

O primeiro dia que pode sair à rua, depois de 10 anos, saiu de muletas e estava tão entusiasmado por poder sair que decidiu tomar um ônibus. Um senhor de semblante franzido e mal-humorado, sentou-se ao seu lado e começou a queixar-se de que não gostava do chofer, do preço da passagem, do tempo, etc. Peter perguntou se ele não se sentia agradecido pelo lindo dia, por ter dinheiro para pagar a passagem. O homem respondeu que não se sentia agradecido por isso e ainda disse a Peter: “suponho que o Senhor tem uma vida fácil, que tem tudo e, por isso, pode estar agradecido.” Peter disse que tinha muitíssimo para ser agradecido, e disse que aquelas muletas próximas de ambos eram dele, e que era o primeiro dia que saía para passear em 10 anos. E acrescentou que se estava ali é porque inicialmente tinha sido grato. Ele conhecia o imenso poder da gratidão. “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Houve dias que parecia que Peter estava morrendo, mas até nestes momentos ele nunca abandonou a esperança. Ele mesmo foi um pássaro que cantou antes do amanhecer. Escreveu um poema intitulado “Jubileu”. A última estrofe diz:

“Minhas colheitas, os gafanhotos comeram,

meus alegres brotos verdes, jamais floresceram

por tormentas repentinas e fortes chuvas açoitados,

pela geada e vorazes insetos devorados,

estas colheitas de minha semeadura invernal,

fartam os carros em minhas portas no presente,

sobejante e com abundância transbordante,

até o último grão, restaurado, saciado.”

Escreveu isto muito antes de obter sua cura. “O pássaro cantou antes do amanhecer”.

Agora vou compartilhar o testemunho dado por uma senhora na igreja. Relatou que seu marido havia adoecido gravemente. Sua irmã morava com eles e as duas cuidavam dele. Precisaram passá-lo para uma cama no andar térreo e ficaram orando por ele, mas foi piorando. Numa noite parecia que ele ia morrer. As duas estavam próximas ao seu leito e sua irmã chorava e se perguntava por que suas orações não haviam sido respondidas. Ficaram orando com o hino da Sra. Eddy “Apascenta minhas ovelhas”. Então, puseram-se a analisá-lo. Há um trecho que diz: “Tua voz escutarei para não errar” e elas honestamente podiam afirmar que estavam escutando, que estavam “seguindo” atentamente. E aí se deram conta de que o hino também dizia: “Pela senda rude irei, SEMPRE A CANTAR”. Constataram que não estiveram expressando alegria. Seguiram para o aposento ao lado e se puseram a cantar e a tocar hinos no piano. Cantaram a noite inteira. Foram para a cama às 5 da madrugada e na manhã seguinte, o homem subiu as escadas para dizer-lhes que estava curado. “O pássaro cantou antes do amanhecer” nessa ocasião também. Gosto muito dessa experiência.

Um praticista relatou-me outro caso. Uma mulher reclamava que não podia caminhar e estava se desanimando muito porque não sentia melhora em seu estado físico. No dia em que a praticista foi visitá-la, pediu que ela começasse a louvar a Deus e a dar graças. A mulher caiu no choro e disse que isso era algo que não conseguia fazer, porque estava muito sofrida, e que seu marido havia perdido o emprego, e achavam-se muito endividados e, por isso, não tinha motivos para estar grata. A praticista então perguntou se ela poderia sentir-se grata por sua enfermidade não ser real, porque por mais que parecesse real, não era real para Deus. E indagou: “pode estar agradecida por isso?” A mulher respondeu que sim. A praticista continuou: “pode estar agradecida porque todas as coisas são possíveis para Deus?” A mulher respondeu que podia estar agradecida por isso. E ainda: “pode estar agradecida por ter sido criada à imagem e semelhança de Deus? Por ser perfeita, bela, feliz, saudável, livre e ativa?” A mulher admitiu que poderia estar agradecida por isso também. Então a praticista pediu que ela escrevesse todos os dias uma lista de motivos pelos quais podia estar grata e que lhe enviasse pelo correio. No outro dia a praticista recebeu uma carta de 16 páginas e, o melhor de tudo, é que a mulher foi entregar pessoalmente e completamente curada. Vêem? A gratidão foi manifestada primeiro. E nós ainda cremos que não devemos estar agradecidos até vermos uma mudança, até nos sentirmos melhores, etc., mas isso não é o correto. “O pássaro canta antes do amanhecer”.

Sabiam que todo problema no mundo é uma crença de carência? O mundo está mesmerizado com a crença de que algo está faltando. As pessoas se limitam, crêem que dispõem de uma quantidade limitada de dinheiro, que os empregos são limitados. Se uma mulher deseja casar-se, pode pensar que há poucos homens… Tudo é limitação e falta de entendimento, mas temos que compreender que a lei de Deus é “infinidade, liberdade, harmonia e felicidade sem limites” (C&S 481). Ele não conhece a carência, nem a limitação. Às vezes, quando enfrentamos um problema que não cede, temos que nos empenhar em vencer a crença na limitação. Pessoas de muito dinheiro podem sentir-se limitadas em outros aspectos. Talvez não consigam as pessoas corretas para empregarem, ou não aparecem as oportunidades, ou falta-lhes gerenciamento, seja o que for, tudo se resume numa crença de carência. E quando passam-se os anos, a crença das pessoas é de que falta-lhes algo no corpo. A mente mortal está sempre nos dizendo que algo nos falta, ou que precisa ser acrescentado a nós, para que nos transformemos nos “filhos perfeito de Deus”. A Bíblia nos diz: “Tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar…” (Ec. 3:14). Não é necessário que nada se acrescente ou se retire do filho de Deus para torná-lo o filho perfeito de Deus.

No último ano como conferencista, caí em minha casa e quebrei um osso do pé. Isso aconteceu numa noite muito úmida, quando saí para colocar as garrafas para o leiteiro. O piso de ladrilhos estava molhado e eu escorreguei, as duas garrafas se quebraram e uma caiu no peito do meu pé, cortou uma veia e saiu muitíssimo sangue. Nesse momento não percebi que havia fraturado o pé também. Dois dias depois, teria que iniciar uma excursão. Iria para a Escócia realizar a 1ª de uma série de conferências. A viagem duraria 7 meses. Não havia ninguém em casa comigo, então entrei engatinhando. Fui até o telefone fixado na parede, e não pude alcançá-lo. Então arrastei-me até meu quarto, no andar de cima, pensando que alcançaria o telefone que ficava na mesinha da luz. Mas não consegui, desmaiei. Quando voltei a mim, envolvi meu pé num lençol, tirei os vidros e tive que ficar ali onde estava até o dia seguinte, quando uns amigos me encontraram. Minhas filhas ficaram muito alarmadas e quiseram me levar para o hospital. Eu me recusei, porque não queria dar as minhas conferências engessada.

No dia de minha partida nem sequer pude calçar o sapato. Estava enfaixada. Tive que ser levada ao aeroporto em cadeiras de rodas. Quando cheguei ao meu destino estavam me esperando com outra cadeira de rodas. Tive grandes dificuldades para desembarcar e as pessoas que foram recepcionar-me, perguntaram se eu acreditava que, realmente, deveria fazer a conferência. Disse que sim, porque o que acontecia era que o erro estava tentando impedir a realização das conferências e que ele utilizaria qualquer disfarce para impedi-las. Faria minhas conferências sentada e com as pernas ocultas. Utilizaria também uma bengala.

Uma amiga que me encontrou naquele estado, se pôs a chorar e não queria que eu continuasse daquele jeito. Eu insisti em seguir adiante, então ela resolveu que iria me levar de carro às conferências. Ela nunca havia dirigido na Inglaterra e foi muito gentil de sua parte oferecer-se. Ajudou-me muitíssimo, enfaixava-me o pé e ajudava a me vestir. Um dia dirigiu desde o Sul da Inglaterra até o Norte, onde dei uma palestra. E tínhamos que sair no dia seguinte às 5 h da manhã para retornar ao Sul da Inglaterra. E eu já não conseguia dormir há umas duas ou três noites. Estava hospedada na casa de uma praticista, que chamou uma enfermeira da Ciência Cristã para limpar o meu pé e o enfaixar. Quando viu meu pé a enfermeira disse: “Sra. Smith terá que ficar num Hospital da Ciência Cristã. Não está em condições de fazer o que está fazendo”. Chamou a praticista e pediu que ela me convencesse de fazer o que sugeria. A praticista pediu para eu cancelar minhas conferências. Então eu disse que se agisse desse modo, o erro teria triunfado e ficaria muito satisfeito ao interar-se do cancelamento de todas minhas palestras e de que eu estava num hospital. Afirmei que não lhe daria este prazer e que faria todas as conferências. E li o seguinte versículo na Bíblia: “…Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete minha carreira com gozo” (Atos 20:24). Assim, não só soube que completaria a minha viagem, mas que o faria com gozo. Então as duas deixaram-me só. Meu pé doía muito e comecei a chorar. Às 3 h da madrugada perguntei a Deus se o que estava fazendo era produto da minha vontade pessoal, porque se eu estava sendo cabeça dura, eu não iria ajudar nem fazer nenhum bem à causa da Ciência Cristã. Roguei a Deus por uma resposta.

Neste momento tive o seguinte pensamento: “Tens esquecido de ser grata?” Imediatamente me senti agradecida por todos os amigos que encontrei ao longo da viagem, pela enfermeira, pela praticista, pela amiga que dirigia para mim, então perguntei-me se eu era grata por meu pé. Comecei a pensar em meu pé e senti-me muito grata por ele. E dei-me conta de tudo o que eu havia realizado graças ao meu pé. Comecei a acariciar o pé e a dizer-lhe que realmente era grata por ele. Ele havia me ajudado a dar meus primeiros passos quando eu era bebê, havia me ajudado a caminhas. “Quando era menina ajudaste-me a brincar, a ir à escola. Quando jovem, me levaste a bailes e nos divertimos muito. Te recordas destes bons tempos? Um dia me levaste ao altar (e eu não se foi um bom dia ou um mau dia)”. Disse que realmente estava grata ele. Ele havia me ajudado a empurrar o carrinho de 5 bebês. Havíamos realizado grandes caminhadas com todos os meus filhos. Concluí que amava esse pé, e lhe disse: “escuta-me pé, que farias sem mim? Se alguém disser que tenho que te cortar, o que serias? Um pé morto? Queres ser um pé morto? Então porque eu e você não nos pomos de acordo e glorificamos a Deus juntos? O que te parece, pé?”¹ Bem, pela 1ª vez em muito tempo, consegui dormir. Dormi apenas algumas horas porque às 5 h tinha que partir. Mas despertei-me muito cedo, foi quando então percebi que a dor cessou, mas ainda estava muito, mas muito inchado.

Uma das coisas que tive que superar foi o fato de sentir-me envergonhada, me preocupava com o que as pessoas estavam pensando de mim. Acreditava que me criticavam porque eu era conferencista e praticista e tinha que depender de uma bengala. Um dia me perguntei “realmente importa a você o que dizem? Você não sabe que está tratando disso com Deus? Importa se levar 10 anos?” Concluí que como estava resolvendo o problema com Deus, não deveria preocupar-me com o que pensavam os demais. Eu não estava fazendo o mínimo, mas o máximo que eu podia fazer. Sobrepor-me ao que “poderiam dizer” foi uma boa lição para mim. Depois disso, pela 1ª vez, consegui apoiar um pouco o meu pé. Nesse dia o sol brilhava através das árvores e eu me senti muito grata.

Terminei minha viagem e voltei para casa. Ia viver na Inglaterra por um ano e minha filha, que morava lá, voltou comigo para ajudar a empacotar a mudança. O senhor que cuidou de meu jardim durante minha ausência, veio esperar-nos no aeroporto. Não me via há 7 meses e o primeiro comentário foi: “Está precisando usar bengala e ainda não fez nada sobre esse pé?” Afirmei que estava tudo sob controle. Quando chegamos em casa, a faxineira quando me viu também me censurou por eu não ter procurado ajuda médica.

Uma hora depois, veio me visitar meu único irmão, que não estudava Ciência Cristã. Disse que buscaria um médico. Minha filha irritou-se muito com ele, e pediu para ele me deixar resolver o problema à minha maneira. Então meu irmão disse que eu era a única pessoa da família que lhe restava, que só queria o meu bem, e que por isso, ia fazer o que era melhor para mim. Pedi à minha filha que o deixasse tentar. Passou dois dias tentando conseguir um médico, voltou contando que não havia nenhum que quisesse atender-me, porque eu não estava cadastrada.² Achei aquilo muito bom. No outro dia retornou dizendo que iria conseguir uma consulta com um médico particular. Mas só haveria horário disponível para outubro ou novembro, e eu partiria em dois dias. Na noite anterior à nossa partida, enquanto arrumávamos as malas, minha filha esperava que o seu tio Gordon não aparecesse. Tranqüilizei-a, porque meu irmão era fanático por futebol e nessa noite passaria pela TV a final da Copa Mundial.

Sua esposa me confessou que tinha até que desligar o telefone nos dias de jogo, e caso chegasse alguma visita, não podia sequer abrir a porta. Jantavam uma hora antes do jogo. Ele levava suas batatas chips e tudo o que ia precisar para perto da TV e na hora do jogo não deixava que nada o atrapalhasse. Por tudo isso, assegurei a minha filha que não havia nenhuma chance dele aparecer nesta noite. Mas tocou a campainha e era meu irmão! Perguntei o que ele estava fazendo ali numa noite de final da Copa?! Respondeu que havia encontrado a solução ideal. Iria levar-me para a emergência do hospital, porque queria chegar ao fundo do problema. A essa altura minha filha começou a chorar, então lhe disse: “Linda, não chores. Eu estive fazendo meu trabalho. Tenho certeza de que meu trabalho está realizado. Estive trabalhando durante todos estes meses e outras pessoas estiveram orando por mim, e por mais que façam repetidos raios X durante anos, não irão me encontrar ali porque não vivo na matéria, vivo no Espírito. Se isso o faz feliz, então que me leve ao hospital.

Quando a doutora viu meu pé, na podia acreditar no seu estado. Queria saber quanto tempo ele estava naquelas condições e respondi que estava assim há 7 meses. Quis saber ainda porque não havia procurado ajuda médica antes. Contei-lhe que era estudante de Ciência Cristã e que resolvia tudo a partir dela, e que estava ali só para confortar o meu irmão. O conceito que a médica tinha sobre a Ciência Cristã era desfavorável e afirmou que as condições em que o pé estava eram tão ruins, que não acreditava que pudessem curá-lo. Mandou-me de cadeira de rodas à sala de raios X, com instruções de baterem chapas de todos os ângulos possíveis. Assim o fizeram e mandaram-me de volta com o resultado. Quando a médica as examinou, afirmou que havia um equívoco e que aquelas chapas eram de outro pé, porque este se encontrava em perfeitas condições. Assegurei a ela que aquele era meu pé. Ligou para a sala de raios X para comunicar que aquelas chapas enviadas eram de outra pessoa. Mas afirmaram que, há pelo menos três meses, ninguém tirava chapas de um pé. Aquelas eram as únicas que existiam.

A doutora decidiu chamar outro médico. Pediu que examinasse o meu pé e as chapas. Imediatamente o médico disse que aquelas chapas enviadas não eram as corretas. Ela confirmou que eram. Resolveram sair para fazer uma reunião entre eles. Ao retornarem examinaram meu coração, apesar de eu não saber o que meu coração tem a ver com meu pé. Ocorreram-lhes todo o tipo de idéias até que , por fim, a médica afirmou saber o que acontecia. Disse: “A Será. Andou viajando por 7 meses, usando bengala para não colocar peso nesse pé e por isso concentraram-se líquidos nele. Apóie-o, caminhe normalmente”. Quando saímos, meu irmão que esperava lá fora, veio muito assustado perguntar qual era o diagnóstico para a doutora.  A médica disse que eu

1. Durante o relato de todo esse tratamento, Myrtle fez seus ouvintes rirem muito.

2. A medicina está socializada na Irlanda.

3. Nesta narração, Myrtle também foi muito cômica e fez com que todos rissem muito.

tinha um pé perfeito, e que só a tinha feito perder tempo. E meu irmão disse: “E eu que perdi o jogo?!”³ apoiei o pé e caminhei normalmente. Um dia e meio depois havia desaparecido todo o inchaço. Vêem? “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Tive que sentir-me muito agradecida por este pé. E todos devemos estar agradecidos por nossos pés e mãos, porque necessitamos deste corpo e é o único que temos agora. Nos ocupamos de nossos móveis, nossos carros, nossos eletrodomésticos e temos que amare nosso corpo pelo que ele representa. Eu sei que Deus me vê espiritualmente e que a idéia espiritual que respalda o pé, é o pé real.

Mas nessa experiência eu estive agradecida até por este pé humano, porque nosso Pai diz: “como no céu, assim também na terra – Deus é onipotente, supremo” (C&S pág. 17). Assim senti-me grata ainda que por este corpo humano.

Essa cura foi muito importante para mim. Quando no ano seguinte voltei a fazer palestras em muitas das mesmas igrejas, pude dizer honestamente que a Ciência Cristã cura, que realmente cura, mas o pássaro tem que cantar antes do amanhecer. 4

“O pássaro canta antes mesmo do amanhecer”. Convido todos para que se decidam a deixar que o pássaro cante antes do amanhecer na causa da Ciência Cristã. Temos que compreender que é Deus quem se ocupa de nossas ações, que não estão nas mãos de pessoas ou indivíduos, e sim, nas mãos de Deus Todo poderoso. Me encanta o que diz Mary Baker Eddy, sobre gratidão, no livro texto da Ciência Cristã? “somos realmente agradecidos pelo bem já recebido? Então nós aproveitaremos das bênçãos que temos e assim estaremos aptos a receber mais. A gratidão é muito mais do que uma expressão verbal de agradecimento. Os atos exprimem mais gratidão do que as palavras” (C&S pág. 3).

Somos realmente agradecidos pelo bem já recebido? Estamos realmente agradecidos por cada membro filiado? Inclusive em nossa igreja filial? Somos agradecidos pelos membros que nunca trabalham pela igreja? Porque eles estão aumentando a congregação e apoiando financeiramente a igreja durante a coleta dos domingos. Somo agradecidos a todos ou estamos resmungando por causa de alguém que não faz alguma coisa bem ou que não faz nada? Somo agradecidos a todos os trabalhadores de Boston? Esse é um lugar em que eu não gostaria de trabalhar, não é fácil trabalhar ali. Temos que ser muito agradecidos por tudo e assim começará a amanhecer para nós.

Conhecem a história de Jesus, quando alimentou uma multidão? Jesus agradecia por tudo e agradeceu antes de alimentar a multidão (João 6:1-13):

“Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galiléia, que é o Tiberíades. Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos. Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos. Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima. Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Felipe: Onde compraremos pães para lhes dar de comer? Mas dizia isto para o experimentar porque ele bem sabia o que estava para fazer. Respondeu-lhe Felipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço. Um de seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas isto o que é para tanta gente? Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles, e também igualmente os peixes, quantos queriam. E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”.

________________________________________________________________________________

4. Myrtle foi conferencista de UM por 4 anos, depois começou a fazer palestras a convite das igrejas.

Há dois anos, li esta passagem na Lição Sermão. Jesus estava ali sentado com os seus discípulos e viu que tinha vindo a ele uma enorme multidão. Ele viu uma multidão de necessidades que tinham que ser satisfeitas. E creio que ele perguntou a si mesmo: “Somos suficientes? São 12 discípulos suficientes para alimentar uma multidão como esta?” Então viu que sim. Como símbolo, os alimentou. E havia uma lei nisto, havia uma pessoa disposta a compartilhas seus 5 pães e 2 peixes e Jesus disse que isso bastava. Ele magnificou o bem que já estava ali e partiu o pão, os deu aos discípulos e eles às pessoas. Conosco acontece o mesmo. Às vezes nos perguntamos se somos suficientes em nossas igrejas filiais, e temos que saber que somos. Damos graças primeiro, sabendo que somos alimentados pelo Cristo, por nosso Pastor, a Lição Sermão, e que isso é suficiente para alimentar multidões.

Uma vez dei uma conferência em uma Sociedade pequena, no Sul da Inglaterra. E quando fui ao serviço dominical observei muita atividade, as pessoas atuavam animadamente. Fiquei muito grata e impressionada e comuniquei isso aos membros com os quais almocei depois do serviço. Eles contaram que nem sempre havia sido assim. Dois anos antes estiveram a ponto de fechar suas portas, porque não tinham fundos, a calefação estava quebrada, necessitavam de um teto novo, não haviam crianças na escola dominical e encontravam-se quase sem membros.

Por tais motivos convocaram uma reunião e a maioria estava de acordo com o encerramento. Então uma pessoa tomou a palavra e disse que enquanto os demais falavam, se pôs a pensar que sei tivesse vindo do Norte da Inglaterra para esse pequeno povoado, se perguntaria se haveria nele algum Cientista Cristão. Logo colocaria um aviso numa loja e receberia uma, duas e até sete respostas, e todas de famílias. Alegrar-se-ia muito e pensaria que tinha um número suficiente de pessoas para formarem uma igreja, “mas neste momento, estamos aqui dizendo que sete não são suficiente. Tudo depende do ponto-de-vista”. Mencionou um artigo que viu alguns anos antes no SENTINEL, no qual a autora conta que corria para alcançar um trem em Londres. Carregando duas maletas pesadas tinha que subir uma escadaria, cruzar a plataforma e novamente descer a outro andar. E pensou que não conseguiria chegar a tempo. Restava apenas um minuto, mas passou por um lugar onde havia um relógio enorme e um minuto nele pareceu-lhe muito tempo. Pensou: “Tenho um minuto, contudo, um minuto enorme”. Aproveitou seu minuto, deixou de correr e chegou a tempo de tomar o seu trem. Depois este membro começou a considerar sua igreja desta outra perspectiva e passou a dar graças pelas bênçãos que recebiam e esta igreja está prosperando agora. Vêem? “O pássaro cantou antes do amanhecer” neste caso também.

Ontem li algo em ESCRITOS MISCELANEOS que achei muito interessante. Está na carta que a Sra. Eddy escreveu para a PRIMEIRA IGREJA DE CRISTO, CIENTEISTA, EM ATLANTA, GEORGIA. Gostaria de ler para vocês uma parte dela: “Esta casa tem sido santificada por Sua promessa: «santifiquei a casa que edificaste, a fim de por ali o meu nome para sempre; os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias» (I Reis 9:3). «Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar» (2 Crônicas 7:15). “Teus dias de festa não estão nas comemorações, mas sim no reconhecimento de Sua presença” (pág. 188). Adiante segue assim: “Tenha paciência diante da perseguição. A injustiça não tem um décimo do poder da justiça. Vossos inimigos farão a divulgação por vocês. A Ciência Cristã está se difundido, com passos seguros, pelo mundo inteiro. A perseguição é a fraqueza dos tiranos produzida pelo temor, e o amor a expulsará. Permaneça, com firmeza, no amor e nas boas obras. Filhos da luz, não sois filhos das trevas. Deixe que vossa luz resplandeça. Sempre mantenha o pensamento nas bases da Ciência Cristã – um Deus e um Cristo. Perca de vista o individualismo, e as bem-aventuranças do Cristo selarão vosso postulado” (pág. 191). Isto é tão verdadeiro hoje em dia, como o era na época em que a Sra. Eddy escreveu esta carta. A bênção do Cristo tem sido conferida a nossa igreja e ao movimento da Ciência Cristã e não podemos resistir a esse fato.

Ela menciona o dízimo. Muitas igrejas dão o dízimo. A Sra. Eddy nos dá a definição de dízimo: “Contribuição, décima parte; homenagem; gratidão” (C&S pág. 595). Por isso, cada vez que expressamos gratidão estamos dando o dízimo. Pensou alguma vez em doar parte de seu tempo diariamente para trabalhar para Deus? Creiam-me que suas vidas não voltarão a ser as mesmas se o fizerem. Quem sabe podem doar parte de um horário. Enquanto saem às compras, bem, podem decidir-se a dar graças a Deus e buscar motivos para serem agradecidos.

Eu estou muito agradecida de poder ter compartilhado estas idéias com vocês.

Anúncios

Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s