Procurar e encontrar “a pessoa certa”

 

Virginia Hughes

Estava envolvida em um relacionamento havia doze anos, quando minha vida começou a mudar. Embora meu namorado e eu desejássemos nos casar algum dia, não estávamos seguros de que éramos a escolha certa um para o outro. À medida que estudava a Ciência Cristã e compreendia, com mais profundidade, o que significa ter um estilo de vida espiritualmente saudável, descobria que minha atitude em relação a vivermos juntos, sem o compromisso do matrimônio, estava mudando. Decidimos ter um relacionamento platônico, enquanto decidíamos sobre o casamento. Após um mês, meu namorado e eu percebemos claramente que devíamos nos separar. Essa resolução foi o resultado de muita oração da minha parte e me pareceu correta.

Foi então que me deparei com um novo desafio. Pela primeira vez em muitos anos, tinha de pensar em sair com rapazes, namorar. Durante a maior parte da minha vida, havia desejado ter marido e filhos e achava que, de uma maneira geral, namorar era o primeiro passo para consegui-los.

Ponderei sobre namorar no contexto do que eu estava aprendendo na Ciência Cristã a respeito de moralidade e castidade. Sempre havia pensado que castidade fosse igual a celibato, portanto, bom para padres, mas não algo que fosse importante para minha vida. Contudo, quando pesquisei o significado da palavra, percebi que castidade respeita e afirma a virtude da sexualidade dentro do casamento. Essa era uma idéia nova para mim, mas que agora achava muito interessante.

Mary Baker Eddy escreveu em Ciência e Saúde: “A castidade é o cimento da civilização e do progresso” (p. 57). Esse era um conceito que me parecia muito rico e promissor, por isso, aceitei-o e procurei viver dessa maneira.

No início, imaginei que ficaria sexualmente muito frustrada após o término daquele longo relacionamento, mas fiquei encantada ao perceber que não estava. Creio que, em parte, isso tinha a ver com outra passagem que aprecio em Ciência e Saúde, onde se lê: “O desejo é oração; e nenhuma perda nos pode advir por confiarmos nossos desejos a Deus, para que sejam modelados e sublimados antes de tomarem forma em palavras e ações” (p. 1).

Os desejos que vêm a nós, provenientes de Deus, nos abençoam.

À medida que ponderava sobre essas idéias, ficava claro para mim que Deus não nos dá desejos para nos atormentar. Ele nos ama. Ele é nosso Pai-Mãe. Portanto, os desejos que nos advêm, provenientes de Deus, nos abençoam ao invés de nos frustrar.

Compreendi que, como filha espiritual de Deus, não fora criada como um ser sexual, atormentado por hormônios inquietos. Na verdade, não precisava sofrer ou me envolver em atividades sexuais antes do casamento. Havia ainda uma terceira opção, na qual não havia pensado antes. Podemos esperar em Deus e confiar a Ele nossos desejos de um companheirismo que satisfaz. Enquanto isso, não precisamos ficar angustiados pela abstinência sexual. Não fomos programados para nos submeter a instintos animais. Somos programados para ser castos.

Uma outra coisa que notei no trecho sobre desejo em Ciência e Saúde, é que ele se refere ao tempo, ou seja, à sincronia de Deus, e não ao medo de um relógio biológico que está ficando sem corda ou abandonado à sua própria sorte. Podemos confiar nossos desejos por casamento, filhos e companheirismo a Deus. Contudo, às vezes, eles precisam ser modelados e sublimados. Precisam ser purificados de qualquer coisa que os leve a nos prejudicar.

Qual era meu real desejo?

Eu desejava realmente pensar sobre meu conceito de companheirismo e casamento em um contexto de desejo real. Qual era meu desejo real? Como esse desejo poderia ser modelado e sublimado para abençoar a mim e aos outros?

Para mim, isso significava que eu entraria em um relacionamento com motivos altruístas. Podia confiar em que o casamento não só abençoaria a mim e a meu marido, mas também a quaisquer filhos que tivéssemos, e, até mesmo, a toda a sociedade.

Como acalentava esse desejo de ter um marido e filhos de forma diligente, por alguma razão, eu esperava ver resultados imediatos. Ponderei: “Ficarei sem namorar por mais ou menos um ano, até que esteja firmemente alicerçada em meu estudo da Ciência Cristã”. Depois de um ano, pensei: “Tudo bem, estou pronta. Deus, Tu podes me enviar a pessoa que Tu queres que eu namore”.

A essa altura, comecei a pensar sobre o comportamento adequado no namoro. Como eu conduziria o lado físico de um relacionamento? Pela leitura da Bíblia, comecei a pensar sobre relacionamentos em termos de compromisso de noivado. Ao pesquisar esse conceito, li sobre José e Maria e o compromisso de noivado deles, anterior ao nascimento de Jesus.

Aprendi que, nos tempos bíblicos, noivar era um compromisso sério. Não era tão simples como os compromissos de hoje. Era uma espécie de contrato; portanto, romper esse noivado era um passo muito grave e não ocorria com freqüência. O período de noivado certamente merecia, e de fato exigia, toda fidelidade e compromisso que se aplicam ao matrimônio.

Gostei da idéia de que eu era noiva de alguém que meu Pai-Mãe Deus havia escolhido. Muito embora meu divino Pai-Mãe não tivesse ainda revelado o nome da pessoa, tinha uma doce confiança naquilo que para mim era um período de noivado e que poderia utilizá-lo como uma preparação para o casamento, para me tornar uma boa esposa e mãe. Também gostei da idéia de que não precisava marcar encontros com uma série de rapazes à procura da pessoa certa.

Embora esse período tenha durado quase dez anos, ainda assim foi uma época muito feliz. De vez em quando, ocorria-me que talvez casamento e filhos não fossem acontecer. Por isso, minha oração mudava para algo ao longo destas linhas: “Acho que esse desejo provém de Ti, Deus. Se assim for, confio em que Tu o realizarás, mas, se não for, por favor, leve-o para bem longe de mim”. Como o desejo não desapareceu, encarei isso como um bom sinal.

Apesar do tempo prolongado, não me sentia insatisfeita com a minha vida. Gostava do meu trabalho, tinha bons amigos, e desfrutava agora de um relacionamento muito melhor com minha família, do que tinha antes.

Conheci alguns rapazes simpáticos, mas, quando nos conhecíamos melhor um ao outro, ficava claro que um relacionamento sério não estava em nosso futuro. Nem mesmo tive de passar pelo intenso processo de marcar encontros, o que a busca por um companheiro parece exigir. Novamente, isso se encaixou na convicção que tinha de que estava noiva e de que Deus me faria saber qual era a pessoa certa, portanto, não precisava marcar muitos encontros.

A oportunidade surgiu quando quis aprender a dançar e uma amiga me disse que um conhecido nosso era um bom dançarino. Ele se ofereceu para me dar umas duas aulas, para me ajudar a decidir se iria tomar aulas com um profissional ou não.

Ele não estava interessado em ter filhos.

Logo no nosso primeiro encontro, quando estávamos nos conhecendo, o assunto sobre crianças e educação surgiu porque ele havia sido professor. Salientou que, embora gostasse de crianças, não estava interessado em ter seus próprios filhos.

Por causa disso, achei que ele não seria a “pessoa certa”, uma vez que estivera orando durante anos por um marido e filhos. Ainda assim, passamos um bom tempo dançando. Nossos caminhos continuaram a se cruzar, porque estávamos envolvidos em algumas atividades juntos. Uma amizade agradável foi se desenvolvendo, mas imaginava que não levaria a nenhum romance. Entretanto, depois de uma meia dúzia de almoços, jantares ou de outras reuniões com amigos, não pude afastar a sensação de que esse era o homem certo.

Uma tarde, volvi-me novamente a Deus. Minha oração foi mais ou menos assim: “Tudo bem, Deus. Ele não quer filhos, mas eu quero. Portanto, ajude-me ou a me livrar dessa idéia ou a compreender como isso poderá dar certo”.

Então, achei que Deus poderia lhe dar o desejo por filhos. Ponderei que, pelo fato de esse homem ter qualidades maravilhosas que fariam dele um pai excepcional, isso seria um resultado natural. Por isso, quando comecei a orar, achei que Deus talvez pudesse muito bem remover tudo o que estivesse tolhendo nesse rapaz o desejo por filhos.

Tinha de respeitar o direito dele de não querer ter filhos.

Contudo, nessa ocasião, li um artigo que a Sra. Eddy escreveu, intitulado: “O matrimônio”, publicado em seu livro Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896. Notei um trecho na página 289, em que ela fala sobre como temos de respeitar o direito de uma mulher optar por não ter filhos, o que era uma idéia bastante radical naquela época. Subitamente, dei-me conta de que tinha de respeitar o direito desse homem de não querer ter filhos, e não mais abrigar em minha mente a idéia de que algum dia ele despertaria e perceberia o grande pai que poderia ser.

Essa idéia me pareceu muito natural. Ocorreu-me que, da mesma forma que Deus estivera modelando e sublimando meus desejos, durante todo aquele tempo, Ele estava fazendo a mesma coisa com meu futuro marido. Deus é Mente e isso significa que Ele tem a inteligência para modelar os desejos das duas pessoas, de forma que se ajustem, tal como peças de um quebra-cabeça.

Surpreendentemente, quando compreendi que precisava respeitar o direito de escolha dele, meu desejo de ter filhos me deixou, de forma instantânea. Todos aqueles anseios simplesmente desapareceram!

Isso foi um enorme progresso. Depois de todos esses anos orando por um marido e filhos, foi quase como o despertar de um sonho. Desejar ter filhos era um sonho doce, mas assim que despertei dele, percebi que ele realmente não fazia parte da pessoa que eu era.

Vi, pela primeira vez, que ficava feliz em devolver as crianças aos pais.

Ao analisar retrospectivamente minha vida, até mesmo quando era criança, vi que preferia passar mais tempo com adultos. Embora gostasse de ficar com as crianças enquanto ensinava na Escola Dominical, dava aulas particulares ou cuidando de meus sobrinhos, percebi, pela primeira vez, que ficava muito feliz em devolver as crianças aos pais no final do dia. Criar filhos não era realmente o que eu desejava. Perguntei-me: “Será verdade?”

Era. O desejo por filhos nunca mais voltou. Todavia, o desejo de me casar não desapareceu, e, de fato, estava mais forte do que nunca. Na semana seguinte, esse homem e eu começamos a namorar seriamente. Foi como se eu precisasse abandonar aquele único sonho para aceitar o presente que Deus estava me dando.

Acho graça quando lembro dessa jornada, porque todas as vezes que orei a Deus e Lhe pedi que, ou atendesse ao desejo por um marido e filhos ou removesse o desejo de minha mente, havia imaginado que eles viessem juntos. Ao invés disso, Ele atendeu a um dos desejos e removeu o outro. O desejo que permaneceu foi mais do que suficiente. Não foi um prêmio de consolação.

Nossos desejos se combinaram harmoniosamente.

Começamos a namorar em abril, ficamos noivos em outubro e nos casamos naquele mesmo ano. Foi tudo muito natural. Com freqüência nos olhávamos cheios de felicidade e dizíamos: “Deus age com tanta precisão”. Nossos desejos se combinaram harmoniosamente.

Algumas vezes, nesses cinco anos desde aquela ocasião, discordamos a respeito de algumas coisas, como a maioria dos casais, mas nos alegramos quando chegamos a uma resposta de consenso, a qual é sempre uma solução muito melhor do que a que tanto ele como eu chegaríamos por nós mesmos. Nossa vida tem sido enriquecida por esse companheirismo e pelo empenho que investimos nela. Juntos somos definitivamente mais fortes.

Deus deseja o melhor para nós. É maravilhoso descobrir como é bom confiarmos em Deus e em Sua perfeita sincronia.

Virginia Hughes vive em Swampscott, Massachusetts, EUA.

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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Uma resposta para Procurar e encontrar “a pessoa certa”

  1. jonan gregorio da silva disse:

    Agradeco pelas mensagens enviadas para mim, peco que continue orando por mim, confesso que estou lendo diariamente esse livro maravilhoso da Ciencia e saude, e sobre esse problema de saude na minha prostata, creiuo que Deus ira me curar. sempre me responda com palavras de fe e esperanca.amem.Abracos.JONAN

    Date: Mon, 13 May 2013 00:36:35 +0000 To: jonangregorio@hotmail.com

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