VÓS SOIS NECESSÁRIOS

Conferência sobre a Ciência Cristã intitulada:

 

VÓS SOIS NECESSÁRIOS

 

 

 

por Howard H. Irwin, C.S., de San Diego, Califórnia

Membro do quadro de Conferencistas de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, Massachusetts, E.U.A.

© 1968 Howard H. Irwin       Todos os direitos reservados

 

 

O Conferencista disse o seguinte:

Estamos vivendo dias de emocionante adiantamento na tecnologia e nas ciências físicas. Satélites que nos proporcionarão comunicação instantânea com qualquer parte do mundo. Veículos espaciais que viajam centenas de milhares de quilômetros a fim de fotografar outros planetas. E aumentamos nosso conhecimento e nossa aplicação útil de partículas infinitesimais, as partículas subnucleares, que são pequeníssimas, minúsculas! Todo esse adiantamento nos está fornecendo um conceito totalmente novo acerca do universo material. Podemos estar gratos aos homens e mulheres dedicados às ciências naturais, cuja devoção, coragem e sacrifício assim impeliram para frente nossa compreensão acerca do ambiente humano em que vivemos.

Essas coisas, porém, desafiam-nos a provar que nossa compreensão acerca de Deus está à altura da época! Somos forçados a ir além de uma mera crença superficial, ou mesmo devota, em Deus. Precisamos chegar a uma compreensão acerca da natureza de Deus, compreensão essa que venha a satisfazer o profundo pensador, e que dê provas de ser praticável no mundo científico de nossos dias.

Mesmo entre as igrejas cristãs, há muitos e variados conceitos sobre a natureza de Deus. Nos tempos de antanho, quando os Salmos foram escritos, havia gente que dizia: “Não há Deus” (Salmos 14:1). E ainda existem, como sempre existiram, pessoas que duvidam da própria existência de Deus. Não há nada de novo ou de moderno ou de atualizado ou de “ultra moderno” nesse pensamento; e essa idéia não precisa perturbar ninguém.

Podemos provar, em nossa própria existência diária, que Deus realmente existe. E que nós existimos como semelhança dEle. Nós O expressamos e essa é a necessidade de nosso ser, o propósito de nossa existência. Mas muitos de nós nem sempre entendemos isto. Em uma ou outra ocasião sentimos o desejo de ser necessários. Ou, talvez, sintamos que não somos queridos, que ninguém está realmente interessado em nós e no que estamos fazendo – ou que ninguém realmente nos aprecia. Essa é uma sensação generalizada – e a encontramos manifestada onde quer que estejamos. Não se limita a nenhuma idade ou grupo econômico. É comum à humanidade. Todos nós queremos sentir-nos necessários, queridos, apreciados.

Durante esta hora em que estamos aqui reunidos, falaremos sobre alguns fatos espirituais que nos ajudarão a assegurar-nos de que somos necessários e queridos. Primeiramente, examinaremos juntos a natureza de Deus, e descobriremos que o homem é certamente necessário para expressar Deus. Em seguida veremos como Jesus, embora rejeitado, provou, graças a essa expressão do Amor divino, infinito, que a humanidade o necessitava; e como Mrs. Eddy fez a mesma coisa. Por fim, veremos como também nós podemos expressar esse Amor divino e provar que somos necessários.

 

Deus É a Origem de Nosso Ser

 

É através e nossa compreensão acerca de nosso parentesco com Deus que compreendemos que somos sempre necessários, e que nosso desejo de ser queridos se vê satisfeito. Contudo, antes de entendermos a importância que temos diante de Deus e de nosso próximo, precisamos compreender a natureza de Deus. E essa compreensão, além de ser tão científica quanto a tecnologia mais avançada, baseia-se totalmente na Bíblia.

No decorrer dos séculos os homens se têm voltado para a Bíblia em busca da compreensão acerca de Deus e da relação de parentesco que o homem tem com Ele. Houve muitas tentativas de diminuir o mérito da Bíblia, mas essas tentativas apenas serviram para o propósito bom de ajudar os homens a lerem a Bíblia com mais inteligência e percepção. Nesta era científica, os ensinamentos da Bíblia ainda salientam uma maneira prática de viver e de progredir.

No primeiro capítulo de seu primeiro livro, a Bíblia diz:  “No Princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1). Depois aparece uma grande variedade de seres dessa criação, e atinge o auge com a criação do homem – o homem à imagem e semelhança de Deus. Em tudo isso, “Deus” é o nome usado para identificar a fonte original, ou o criador de tudo.

À medida que continuamos a leitura da Bíblia, logo nos apercebemos de que o conceito de Deus vai sendo constantemente modificado e ampliado. À medida que as pessoas progridem em aplicar ao seu viver diário sua compreensão acerca de Deus, descobrem novos aspectos da natureza de Deus. Passam então a usar novos nomes para Deus, a fim de combinar com sua nova compreensão e novos estágios de existência. Assim, quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos Jesus chamando a Deus de “Pai” – “Pai nosso”. O Apóstolo João compreendeu claramente os ensinamentos de Jesus, e o significado das curas que ele efetuou. Foi capaz de dar-nos o mais elevado de todos os nomes para Deus: “Amor”.

Ora, notem, que não importa qual seja o nome usado para descrever esse criador original, trata-se do mesmo Deus que está sendo adorado e cultuado, o mesmo Deus a que os homens sempre se voltaram em busca de ajuda e proteção. Houve pessoas que duvidaram da existência de Deus, outros que O julgavam muito distante para que se incomodasse com o homem, e ainda outros que O interpretaram mal, de muitas outras maneiras. Mas nunca houve um momento em que o ser de Deus fosse interrompido. Sempre houve a continuidade de um entendimento crescente acerca dEle e de Sua expressão de Si mesmo no homem. Deus não deixou de existir, nem hoje nem nunca.

 

Uma Prova do Amor de Deus

 

Um jovem que eu conheço sentia-se sozinho. Sentia que ninguém realmente gostava dele, e como resultado, estava num estado de constante agitação mental. Quando criança, freqüentara durante algum tempo, a Escola Dominical da Ciência Cristã. E agora voltava-se para a Christian Science em busca de ajuda para esse problema.

Marcou uma hora para ver um praticista da Ciência Cristã, uma dessas pessoas – homens e mulheres – que se qualificaram para devotar todo o seu tempo à prática da cura pela Ciência Cristã. O praticista assegurou ao meu jovem amigo que Deus o amava, e o animou a estudar a Bíblia regularmente, como havia aprendido a fazer nos seus dias de Escola Dominical. O rapaz fez isso e em pouco tempo começou a pensar em seu problema de uma nova forma. O que estava aprendendo trouxe uma luz totalmente nova à situação.

Havia estado solitário, amedrontado, e frustrado porque realmente se sentia excluído da fonte da felicidade, da bondade, da alegria e do amor. Sentia-se separado de Deus, que é Amor. Mas porque Deus é infinito, o Amor é infinito. Isso queria dizer que onde quer que estivesse havia uma expressão de ternas qualidades – como afeição, compaixão, calor humano, ternura e consideração.

Uma vez estabelecidos e aceitos esses fatos espirituais em seu pensamento, obteve a resposta para seu problema básico. Descobriu, então, que sua vida se estava modificando. Abriram-se-lhe coisas maravilhosas: encontrou felicidade, bom companheirismo, e muita coisa que lhe indicava que ele estava adaptado.

Ora, esse jovem não se limitou a estudar a Bíblia como se fosse por acaso. Estudou-a como havia aprendido na Escola Dominical, à luz de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã. Estudou a Bíblia espiritualmente – cientificamente.

Encontrou a solução para o seu problema à medida que  compreendeu os fatos espirituais básicos acerca da natureza de Deus como Amor infinito e sua própria relação com esse Amor.

 

A compreensão Científica acerca de Deus

 

O significado científico completo das palavras e das obras de Cristo Jesus foi descoberto por Mrs. Eddy há um pouco mais de um século. Essa Ciência do Cristo – essa Verdade que é Cristo – lhe veio ao pensamento como uma revelação espiritual da natureza completa de Deus e do homem. Assim, por 100 anos a Ciência Cristã vem oferecendo à humanidade um conceito científico a respeito de Deus, o que grandemente esclarece Sua natureza. Ensina que Deus é Princípio divino e Mente. Esses nomes, junto com o nome Amor, ajudam-nos a compreender Deus mais claramente, como a fonte original e única, ou a causa da existência do homem.

O que queremos dizer, com a declaração de que Deus é Princípio divino? Bem, muito simplesmente, que Ele é a fonte e o legislador de todo o ser real, e que isso inclui a vós. Algumas pessoas pensam que esse nome para Deus faz com que Ele pareça frio e distante. Na realidade, porém, ver Deus como Princípio destrói a noção de que podeis estar separados dEle. O que é que pode estar mais próximo do que a própria fonte e lei do vosso ser?

Quando pensamos em Deus, o Amor divino, como sendo também Princípio divino, compreendemos como Ele constantemente nos cuida e nos governa. Por ser Ele infinito e universal, não pode estar somente aqui, e não estar ali. E não vos podeis isolar de Deus. O profeta Jeremias o disse desta maneira: “Acaso sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor” (Jeremias 23:23,24).

Que dizer do nome “Mente”, para Deus? Acaso não nos seria difícil pensar em Deus como Amor divino, ou Princípio, sem percebermos que Ele tem de ser inteligente? A criação, destituída de uma origem que tenha inteligência e finalidade, seria um caos. Jesus, em seu Sermão do Monte, nos faz lembrar: “Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (Mateus 6:8). Deus tem de estar consciente do que Ele cria — consciente da identidade individual de cada um de nós. Acaso não podemos descrever esse Deus cheio de propósito, esse Deus consciente e inteligente, pelo termo “Mente divina”? E esse é o Deus que o homem expressa através da inteligência e do Amor – através de cada qualidade divina.

À medida que começais a compreender Deus dessa maneira, isto é, como Princípio e Mente divina, bem como Amor, percebereis algo mais acerca de Deus, algo de grande importância: Deus não causa o mal, ou o sofrimento de espécie alguma. Ele o destrói! O Princípio e a inteligência não poderiam agir de outra maneira.

Podemos ilustrar isto com o exemplo da luz e da escuridão. Consideremos que a luz é Deus, e a escuridão é o mal, o sofrimento e a infelicidade. A luz é totalmente luz. Não contém dentro de si a escuridão, mas age para destruir a escuridão. Um técnico em iluminação recentemente fez um comentário acerca de um edifício em que a iluminação era deficiente, dizendo que era “um exemplo perfeito de escuridão organizada”. Mas não tentou reorganizar a escuridão a fim de iluminar o prédio. Aconselhou sobre como proporcionar a entrada de mais luz. A escuridão é simplesmente a ausência da luz e não tem poder para resistir à luz. Na Bíblia João usou a mesma metáfora quando disse: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (I João 1:5). E porque Deus é Princípio, não há nEle mal algum, nada que não seja regido por um Princípio.

Deus, portanto, não causa ao indivíduo sensação alguma que o faça sentir que não é querido ou necessário. Deus destrói esse sentimento porque essa situação é como a escuridão. Não expressa a luz de Deus. Isto é, não faz parte do governo imparcial do Princípio divino, da atividade inteligente da Mente divina, ou do cuidado universal do Amor divino.

 

Toda Causa Deve Ter seu Efeito

 

Vislumbramos agora a importante função que o homem desempenha. Mas como primeiro passo para debater especificamente a necessidade de que o homem exista, gostaria de contar-vos sobre um negociante que conheço. Foi ao consultório de um praticista da Ciência Cristã para ver se podia encontrar a solução para suas muitas dificuldades. Suas atividades comerciais se haviam reduzido a quase nada. Sua situação financeira era desesperadora, e seus assuntos pessoais pareciam emaranhados e insolúveis. Estava convencido de que era um fracasso; ninguém queria saber dele, ninguém precisava dele, e nem do que tinha para oferecer.

O praticista assegurou-lhe que havia uma solução. E que a solução poderia ser encontrada por meio da compreensão da natureza de Deus e de sua própria relação para com Deus. De início esse homem de negócios não conseguia entender como isso poderia corrigir seus negócios e sua situação financeira. Mas estava disposto a ouvir.

Conversaram muito tempo sobre Deus como a origem, o Princípio divino ou causa do homem, e sobre o homem como efeito, ou expressão de Deus. O praticista salientou que para que Deus pudesse ser totalmente expresso, nenhuma expressão individual jamais poderia ser lançada fora ou rejeitada. Que em vez disso, cada pessoa é governada, cuidada e guiada por esse Princípio divino, que é também o Amor divino.

Nos dias e semanas que se seguiram, meu amigo comerciante avidamente estudou a Bíblia e Ciência e Saúde. Teve também entrevistas com o praticista. Compreendeu que ele realmente tinha seu lugar como expressão de Deus, e que não poderia perdê-lo.

Gradativamente sua atitude se desviou do desespero para a esperança. Dentro de pouco tempo estava apto a ajustar seus negócios e suas atividades financeiras de modo que ninguém sofresse dano ou perda. E, é claro, seus assuntos pessoais também revelaram que uma compreensão espiritual sobre Deus e o homem é científica e praticável. Provou, a seu próprio modo, que ele era absolutamente necessário.

Agora examinemos mais de perto as verdades espirituais que o ajudaram.
Fizemos alusões a Deus como a origem do homem e ao homem como sendo a expressão dessa origem. A causa e o efeito não podem ser separados um do outro – nem mesmo por um momento. Do contrário, a causa deixaria de ser causa. A Causa divina, ou o Princípio, está constantemente imprimindo sua natureza em seu efeito, o homem.

Escreveu o profeta Isaías: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor” (Isaías 43:10). A natureza da causa é expressar-se no efeito. É da natureza do Amor divino expressar-Se em seu amado filho, o homem. A razão de ser do homem é satisfazer a necessidade que o Amor divino tem de expressar-Se.

Nossa verdadeira identidade, portanto, é a expressão que Deus tem de Si mesmo, e não pode ser separada dEle. Ao refletir o Princípio divino, expressamos integridade, responsabilidade e harmonia. Ao refletir a Mente divina, expressamos Sua inteligência e capacidades sem limites. E ao refletir o Amor divino não pode privar o homem de bem algum. O homem, por sua vez, nada pode apresentar que seja dessemelhante de Deus, nem carecer do que seja bom. Somos todos muito importantes para Deus, porque Ele tem consciência de nossa existência, nos ama, e está expressando Sua natureza no ser verdadeiro de cada um de nós.

 

 

 

Cristo Jesus Fornece o Exemplo

 

A sensação de não ser querido ou necessário é bem comum à humanidade. Provavelmente todos nós temos de, mais cedo ou mais tarde, combate-la e vence-la. Até Cristo Jesus teve também de combatê-la e vence-la. Até Cristo Jesus teve também de combatê-la. E notem, esse problema se lhe apresentou de maneira muito semelhante como ainda hoje se apresenta a cada um de nós. Portanto, podemos aprender muito, por considerar como ele o combateu com amor.

O fato de que ele vinha de Nazaré não lhe servia de boa recomendação. Depois de haver escolhido Filipe como discípulo, este foi contar ao seu amigo Natanael acerca de Jesus. E qual foi a reação de Natanael? Perguntou a Filipe: “De Nazaré pode sair alguma cousa boa?” (João 1:46). Quando Jesus se apresentou como um mestre de religião na sua própria terra natal, o povo perguntou: “Não é este o carpinteiro?” (Marcos 6:3). E, finalmente, havia o problema que Jesus tinha com sua família! É de nosso conhecimento que seus irmãos simplesmente não acreditavam nele! Escarneciam dele, e quase o desafiavam a falar abertamente aos judeus, alguns dos quais já queriam matá-lo!

Por que é que aqueles a quem Jesus queria abençoar, desejavam matá-lo, ou mandar matá-lo?  Porque lhes faltava a percepção espiritual necessária para compreender o Cristo, a mensagem do Amor e da Verdade divinos. Era isto que Jesus estava trazendo ao mundo, e ele sabia o valor dessas coisas. Ele sabia que, acima de tudo, o que o povo necessitava era uma compreensão correta acerca de Deus, e de sua relação para com Ele. Ele sabia que, quando reconhecessem essa necessidade, eles desejariam o que ele lhes oferecia.

Jesus sabia onde se encontrava o verdadeiro valor de um homem. Esse conhecimento o libertava de qualquer sugestão de que alguém pudesse sentir-se indesejado. Seu exemplo prova que nenhuma circunstância humana pode por limites na habilidade que cada um de nós tem para expressar a Verdade e o Amor divinos – para cumprir com a finalidade de nosso ser.

 

A Educação por Meio da Compreensão Espiritual

 

            A compreensão espiritual acerca de Deus de do homem é tremendamente útil na vida cotidiana. Não se limita devido à falta de instrução escolar, e pode acrescentar um novo senso de propósito e direção, até mesmo a uma educação brilhante.

            Por meio de sua compreensão espiritual, Jesus era capaz de dar resposta à altura e confundir seus mais sagazes contendores. Mostrava que havia aprendido algo que o sistema de educação de seus contendores não lhes havia proporcionado. Ao mesmo tempo, podia ilustrar seus ensinamentos com estórias da vida cotidiana, de maneira tão simples, que o mais humilde de seus seguidores podia entendê-lo.

            Algumas dessas parábolas salientavam o quanto é importante que os homens expressem amor. Por exemplo, na estória do bom samaritano, (Lucas 10:30-37) não foram os homens cultos e distintos, os homens que pertenciam à nação justa, os que viram e aproveitaram a oportunidade de se mostrarem úteis. Não foram eles; foi um samaritano quem viu essa oportunidade e expressou a compaixão que trouxe a cura ao viajante ferido pelos ladrões. Os judeus desprezavam os samaritanos mas Jesus mostrou, com essa parábola, que o valor e a utilidade de um homem devem ser julgados de acordo com sua própria expressão individual de qualidades divinas – especialmente de amor. E nós, hoje me dia, podemos expressar cada vez melhor essas qualidades, à medida que compreendemos cientificamente nossa natureza, como a expressão divina que o Amor tem de Si mesmo. Então descobriremos que somos úteis, necessários e procurados, independentemente de nossa educação ou nível social.

            Numa conferência realizada num domingo à tarde, fui apresentado por uma senhora cuja vida é um bom exemplo do que significa expressar qualidades divinas. Fazia parte de m grupo desprivilegiado. Era de família muito pobre, e não tinha freqüentado escolas. Durante toda a vida tivera de trabalhar muito. Mas um dia a Christan Science lhe foi apresentada, e começou a estudá-la da melhor maneira que podia. Graças a esse estudo começou a aprender algo sobre seu verdadeiro eu como expressão de Deus. Compreendeu que era-lhe necessário, e fazia parte de sua natureza, expressar inteligência, graça, e equilíbrio, entre muitas outras qualidades. Durante os anos seguintes, seu estudo e prática das verdades espirituais desenvolveram nela essas qualidades, e pode vencer, em grande parte, seus impedimentos e limitações. Apresentou-me com dignidade e discrição. E era evidente que havia obtido a habilidade de expressar-se de maneira muito terna e eficiente.

 

O Verdadeiro Conceito de Família

 

            A Bíblia diz: “Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade” (Salmos 68:6). Talvez, para algumas pessoas, a dificuldade não seja falta de instrução escolar, mas um problema de família. Ás vezes sentimos que nossa família não nos compreende. Outras vezes, nossa família parece impedir nosso progresso e felicidade. E outras vezes, sentimo-nos limitados por não termos família. Os ensinamentos e exemplos de Jesus mostram-nos como podemos ampliar nosso conceito de família de maneira a poder unir a segurança à liberdade. Uma vez, enquanto ensinava, lhe disseram que sua mãe e outros membros de sua família queriam falar-lhe. Proferiu então aquela definição de família que tanto nos ajuda ainda hoje: “…Qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe”  (Mateus 12:50).

            Jesus jamais ignorou as responsabilidades de família. Mesmo quando estava na cruz, tomou providência para que cuidassem de sua mãe. Mas sua compreensão de que Deus era Pai, o Amor universal, aumentava e aprofundava seu conceito de família, e ao mesmo tempo rompia o conceito de laços que confinavam. Isto o libertou, e lhe permitiu expressar plenamente sua própria individualidade, que derivava de Deus.

            Jesus nos mostrou que podemos compreender e utilizar as verdades espirituais acerca da família. E, à medida que o fazemos, notamos que nossas relações familiares se tornam mais ternas e mais harmoniosas.

            Conheço uma moça que pediu ajuda a um praticista da Ciência Cristã. Sofria de um inchaço por todo o corpo, com sintomas de hidropisia. Essa moça se revelava contra sua mãe. Parecia que sua mãe lhe exigia demais, e que tentava faze-la sentir-se indesejada em seu próprio lar. Essa moça e o praticista conversaram sobre a natureza da família, conforme a definiu Jesus: “… Qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.“  Diariamente trataram de compreender com mais clareza a natureza espiritual verdadeira do homem, e que cada um de nós é necessário por causa de sua expressão individual de qualidades divinas. Gradativamente a rebeldia foi substituída por um sentimento de amor para com a mãe, e restabeleceu-se a harmonia naquele lar. O corpo dessa moça voltou ao seu tamanho e funções normais.

            O poder-Cristo está sempre disponível para libertar-nos de qualquer espécie de limitação. Foi isso o que Jesus provou, no decorrer de toda a sua carreira. Não há mistério sobre o Cristo. O Cristo, conforme o entendemos na Ciência Cristã, é a verdadeira idéia de Deus. Revela à consciência humana o que é verdadeiro acerca do homem, o que é verdadeiro acerca de vós e de mim e de nossa relação para com Deus. Esse Cristo, a Verdade, não pode ser visto nem percebido pelos sentidos físico, mas foi evidenciado ao pensamento humano através da vida e das obras de Jesus. Referimo-nos a Jesus como Jesus Cristo, ou Cristo Jesus, porque Jesus expressava o Cristo de maneira plena.

            Ele era fiel e obediente ao Cristo, a Verdade, em seu viver diário, de modo que podia, com amor, enfrentar todo problema que se lhe apresentava. Mostrou-nos a maneira de aplicar o Cristo, a Verdade, que a senhora que me apresentou, à qual fiz alusão há pouco, venceu as limitações de nascimento, de família e de falta de instrução. E através desse mesmo Cristo, a Verdade, minha amiga foi curada da infelicidade no lar e do inchaço.

 

Mrs. Eddy também Foi Rejeitada

 

            A descoberta feita por Mrs. Eddy mostra que o Cristianismo, cientificamente compreendido como a Ciência do Cristo, ou o Cristo, a Verdade, ainda é tão desafiador e dinâmico como nos dias de Jesus. Continua a ser uma força transformadora na existência humana.

            Desde a mais tenra infância a Bíblia fora a verdadeira companheira de Mrs. Eddy. Apoiava-se na Bíblia como uma pessoa se apóia num amigo chegado e de confiança. Quando chegou à meia idade, encontrando-se em grande necessidade, foi-lhe natural buscar ajuda em suas páginas. O que ela discerniu acerca da verdade sobre o ser silenciou os pensamentos persistentes de desesperança e de fracasso. Com uma nova sensação de força, levantou-se da cama, curada.

            Essa experiência a conduziu à descoberta de que Deus, o Amor divino, a quem Jesus chamava de Pai, é também o Princípio divino, a origem de toda a existência. Compreendeu que, uma vez que Deus é bom, e é Espírito, o homem precisa ser completamente bom e espiritual. Essa descoberta representou um repto tão profundo aos conceitos e tradições religiosas já estabelecidos, que Mrs. Eddy viu-se rejeitada por sacerdotes, por amigos, e até mesmo por sua própria família. Foi alvo de abuso e de escárnio. Mas persistentemente, ela aplicou as verdades de sua descoberta À sua própria situação, e as transmitiu a quem a quisesse ouvir. Constantemente ela expressava o Amor divino. Curava os doentes e os sofredores: passo a passo, provou que ela era realmente necessária.

            Então seus opositores começaram a atacar seu caráter. Pareciam não entender o ensinamento de Jesus: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20); Mas os que foram curados, libertados de pecados e de sofrimentos, compreenderam a verdadeira natureza dessa Descobridora. Sabiam que somente uma pessoa de caráter exemplar e piedoso poderia compreender tão eficientemente a presença e o poder de Deus, e trabalhar tão desprendidamente a fim de tornar disponível e útil a todos a sua descoberta.

            A vida de Mrs. Eddy, como a de Jesus, fornece a todos um exemplo, de que a compreensão acerca de Deus e do homem, à luz do Cristo, a Verdade, vence a solidão e o repúdio. Ela demonstrou sua declaração de que “Cada indivíduo tem de ocupar seu próprio nicho no tempo e na eternidade” (Retrospection and Introspection – Retrospecção e Introspecção, p. 70). Cada um de nós pode fazer o mesmo, graças a compreender e expressar o Amor divino, infinito.

 

 

Podemos Provar, Abençoando a Outros, que Somos Necessários

 

            Conheceis o ditado: “Um amigo em momento de necessidade, é um amigo de verdade.” Já pensastes que esse amigo pode estar necessitando de vós, em vez de vós necessitardes dele?
Quando nos sentimos sós e desnecessários, um amigo a quem podemos dar a mão e ajudar é um amigo de verdade.

            Falamos no amor de Deus, e dissemos que é infinito. O amor de Deus também é universal. Universal não quer dizer apenas que está em toda parte e em  todas as direções, mas também  quer dizer exatamente igual para todo mundo, em toda parte e todo o tempo. Já passeastes ao longo de uma praia arenosa, e enchestes a mão de areia? Por que é que a areia fica retida na mão? Por causa da gravidade. Não importa qual seja o tamanho, a forma, a cor, ou de onde venha, cada grão de areia se prende à mão por causa da força da gravidade. Essa força da gravidade é igual para todos os grãos de areia. Não é mais forte para uns que para outros.

            Há outros campos de gravidade no universo, além da gravidade da terra. E é possível sair de um campo de gravidade e entrar em outro. Mas, não importa onde estejais, o amor de Deus é o mesmo, para vós ou para qualquer pessoas, em qualquer lugar. O Amor divino é universal, é igual, através do tempo e do espaço. É universal, mas precisamos senti-lo individualmente. Vós o podeis sentir expressar exatamente onde vos encontrais. Então provareis que sois necessários porque podeis abençoar os outros, quer os conheçais ou não. Não precisamos esperar até que nossos amigos estejam em dificuldades.

            Jesus nos diz, de diferentes maneiras, como a nossa compreensão espiritual traz bênçãos a todos que nos rodeiam. Diz, por exemplo: “Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14). E acrescenta: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (5:16). Todos nós somos necessários exatamente onde estamos! Mas para desempenhar nossa parte como a luz do mundo, precisamos compreender e expressar Deus como o Princípio divino, ou origem de nosso ser. Da mesma maneira, a luz elétrica ilumina apenas quando está ligada à sua origem.

            Certa ocasião, quando estava no exército, durante a II Guerra Mundial, fomos levados a algumas colinas longe da civilização, para receber treinamento em camuflagem e auto-preservação. Um dos exemplos causou-me profunda impressão. A noite estava nublada e escura. Não havia sequer uma estrela para romper a escuridão. Dado um sinal, uma pessoa, a 1.600 metros de distância, acendeu um fósforo. A nitidez com que pudemos ver aquela luzinha causou surpresa a todos nós. Da mesma maneira, cada vida humana tocada pelo Cristo, a Verdade, brilha nitidamente no mundo.

 

Uma Pessoa Pode Salvar Muitas Outras

 

            Estou seguro de que vos interessará conhecer a experiência de um homem que estava servindo na Marinha Britânica durante a II Guerra Mundial. O que lhe aconteceu, segundo me contou, mostra justamente o detalhe de que estávamos falando, isto é, de que cada vida humana, tocada pela luz do Cristo, a Verdade, é uma bênção para todos que a rodeiam.

            Esse homem foi designado para um navio armado mercante, em serviço de carga no Atlântico. Depois de atravessarem sem incidentes da América para a Inglaterra, o navio encetou a travessia de volta para Halifax, no Canadá. O capitão escolheu um caminho que levaria o navio muitas milhas ao norte da rota mercante comum. Julgou que essa rota seria mais segura.

            No entanto, uma manhã, bem cedo, um torpedo os atingiu, e entre outros estragos, inutilizou o rádio do navio. Finalmente a tripulação teve de abandonar o navio, e um outro torpedo o atingiu e o afundou.

            A situação apresentava poucas esperanças para os 270 homens nos botes salva-vidas. Estavam completamente sós, muitas milhas ao norte da rota mercante, e sua falta não seria notada em Halifax por muitos dias. Tinham um rádio auxiliar, mas este alcançava um raio de apenas 100 milhas. Estavam a 1.500 milhas da Inglaterra e a 1.000 milhas do Canadá.

            Mas meu amigo era Cientista Cristão, e havia posto no bolso um pequeno exemplar de Ciência e Saúde. E a essa altura, voltando-se a Deus em busca de ajuda, tomou o livro. Quando o abriu eis o que leu: “Nosso Mestre não ensinou mera teoria, doutrina ou crença. Foi o Princípio divino de todo ser real que ele ensinou e praticou. Sua prova do cristianismo não foi uma forma ou um sistema de religião e de adoração, mas sim a Ciência Cristã, que elabora a harmonia da Vida e do Amor” (Ciência e Saúde, p. 26). Que desafio era esse, para sua compreensão sobre o Cristo, a Verdade, e sobre a verdadeira origem sustentadora do homem. O calor e o amor desse trecho o fez sentir-se como se alguém dissesse aos seus muitos temores: “Acalma-te, emudece!”

            Então, ouviu o oficial encarregado do rádio receber permissão para mandar um SOS no pequeno rádio auxiliar. Até parecia que era só para levantar o ânimo dos homens. Por certo que não havia nada num raio de 100 milhas! Durante dois dias e duas noites balouçaram sobre as águas sem que nada acontecesse. Mas durante esse tempo meu amigo nunca duvidou nem teve medo. Ele sabia, sem sombra de dúvida, que estavam na presença do terno cuidado de Deus. Quando, finalmente, foram socorridos por um destróier, sua sensação não foi de alívio, mas de  gratidão – gratidão por mais uma demonstração do poder e do amor universal de Deus.

            Mais tarde ele soube pelo oficial encarregado do rádio, que algo extraordinário havia acontecido. O sinal do aparelho d rádio, que se limitava a um raio de 100 milhas, tinha sido ouvido pela sede de operações navais em Londres, a mais de 1.500 milhas de distância! Os destróiers haviam sido mandados em busca deles, esperando encontrar apenas 20 ou 30 sobreviventes. Um destróier, em sua última volta em busca dos náufragos, recolheu todos os sobreviventes – todos os 270!

            O Cristo, a Verdade, a compreensão científica da relação do homem com Deus, o Amor divino universal, é uma luz que brilha clara e nitidamente. É uma bênção real par todos que a rodeiam.

 

Todos Nós Somos Necessários

 

            Contam por aí a história do presidente de uma pequena estrada de ferro. Assistiu a uma convenção de ferrovias onde conheceu o presidente de uma das maiores estradas de ferro do país. Durante a conversa que tiveram, o presidente da ferrovia maior indagou ao presidente da menor a respeito de sua ferrovia. E este respondeu: “Bem, pode não ser tão longa como a sua, mas tem exatamente a mesma largura.”  Lembrem-se de que o amor de Deus é universal, portanto, vossas oportunidades para expressar esse Amor, para provar que sois necessários, são tão amplas como as de qualquer outra pessoa.

            As vidas de Cristo Jesus e de Mary Baker Eddy nos fornecem exemplos úteis de como ambos resolveram o problema de serem repudiados e desnecessários, de como a compreensão espiritual traz bênçãos para todos os que nos rodeiam. O mesmo Cristo, a Verdade, está à nossa disposição hoje em dia. E porque o Amor divino é universal, podemos tanto senti-lo quanto expressa-lo onde quer que estejamos.

            À medida que compreendemos cientificamente que Deus é o Amor universal infinito, e que o homem é Sua expressão, veremos qual é nossa própria relação individual para com Deus. Essa relação inclui os fatos espirituais de que Deus tem um nicho o qual Ele necessita que preenchamos, e que nós evidentemente necessitamos de Deus. Abençoando outros por meio da nossa própria bênção, e descobriremos que somos necessários.

            Emerson, o conhecido poeta americano, o expressou assim:

 

                 “Todos são necessários a todos;

                 Nada é belo ou bom quando sozinho.”

 

            Permiti-me que repita: –  “Todos são necessários a todos.”

 

 

 
   

 

 

 

 

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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