A prática da cura: aprendendo a conhecer o poder de Cristo

Pierre Pradervand com colaboração de Emery Tazuila

Da edição de setembro de 1995 dO Arauto da Ciência Cristã

Numa época em que alguns estudantes da Ciência Cristã acham difícil, devido ao ritmo intenso da vida moderna, reservar um pouco de tempo, durante o dia, para a prática da Ciência Cristã, pareceu-nos bastante esclarecedora esta entrevista feita por Pierre Pradervand para os periódicos. O entrevistado é Emery Tazuila, do Zaire, que há vários anos trabalha numa das maiores indústrias químicas da Suíça. Seu emprego exige uma semana de trabalha de 40 horas. Ele é também pai de família e membro ativo da igreja.

A experiência do Sr. Tazuila demonstra que uma consagração íntima à prática da cura traz à luz tanto a capacidade como o tempo para essa prática. É uma satisfação compartilhar essa entrevista com os leitores.

Como você chegou a conhecer a Ciência Cristã? Foi um amigo do Zaire que me falou a respeito. Fiquei fascinado por descobrir um ensinamento que habilita as pessoas a comprovar, na vida diária, que aquilo que estão aprendendo realmente cura. Foi o que me atraiu: o fato de ser um ensinamento que pode ser aplicado na vida diária.

Depois de vir para a Europa, você decidiu fazer o Curso Primário de Ciência Cristã. Foi um passo rumo à prática? O Curso Primário abriu-me o pensamento para a prática, pois me fez compreender a relação entre a revelação e a vida diária. Sinto muita gratidão a Mary Baker Eddy por ter instituído o Curso Primário. Este representa um passo importante na vida do estudante da Ciência Cristã que deseje crescer espiritualmente.

O Curso Primário ensinou-me a aplicar a Ciência de modo mais metódico. Esse ensino nos revela os instrumentos que Deus já pôs à nossa disposição para servirmos à Sua glória. Muito antes do curso, eu já dedicava algum tempo à prática. Mas o curso despertou em mim o reconhecimento da autoridade do Cristo. Esse desenvolvimento vem como resultado de compreender melhor a natureza de Deus.

Você disse que já estava na prática, antes do Curso. Como foi? Relembrando os fatos, vejo que o Cristo é o foco central da prática. Nosso papel é deixar que ele resplandeça em nós. É o Cristo que atrai as pessoas. Na época, minha meta principal era crescer espiritualmente. Aos poucos, as pessoas da Sociedade de Ciência Cristã à qual eu pertencia começaram a pedir-me ajuda por meio da oração. Quanto mais eu crescia espiritualmente, mais gente pedia ajuda. No começo, eu costumava responder que não tinha suficiente competência, que havia praticistas mais competentes. No entanto, o Espírito me mostrou que é o Cristo que cura. Também aprendi que ninguém tem o monopólio da cura. Cada estudante da Ciência Cristã é um praticista em potencial. Precisei compreender que a prática não era uma questão de responsabilidade pessoal pelo poder curativo, como se eu agisse separado de Deus. Então comecei a aceitar pacientes.

Primeiro eram pessoas conhecidas. Depois, pouco a pouco, vieram pessoas que eu não conhecia. Sempre tive o cuidado de não indagar como as pessoas obtinham meu nome, porque entendia que esses chamados eram uma demonstração da seguinte passagem de Isaías: “Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do Senhor, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou.” 1 Agora, mesmo não tendo meu nome na lista de praticistas do The Christian Science Journal, recebo pedidos de outros países.

Do seu ponto de vista, qual é o âmago da prática da Ciência Cristã? Ser praticista significa expressar a atividade do Cristo em nós, deixar que o Cristo se manifeste através de nós. Ser praticista significa também, talvez acima de tudo, ser testemunha do que Deus faz pelo homem e por todo o universo. A única responsabilidade de uma testemunha é ser fiel ao que sabe de Deus, fiel ao mais elevado senso da verdade.

Você teve de enfrentar muitos desafios ao chegar à Suíça: desemprego, racismo, adaptação a uma nova cultura. O que esses desafios representaram em sua maturação espiritual? Houve três aspectos úteis e fundamentais. Esses desafios ajudaram-me a alcançar um entendimento mais claro de quem sou, onde estou e o que me governa. A compreensão de que eu, na verdade, não era um mortal que havia se mudado, no tempo e no espaço, do Zaire para a Suíça, mas era, isso sim, o amado filho de Deus, imortal, vivendo no Seu reino ilimitado, deu-me a convicção de que para Deus eu não era estrangeiro, ainda que o quadro humano me mostrasse como tal. A percepção de que só Deus governa deu-me um profundo senso de liberdade. Antes, eu costumava pensar que o homem é governado por partidos políticos. Agora, percebo que o único poder que me governa, que pode realmente decidir por mim, é o Amor, e que não há nenhum poder legítimo fora do Amor, capaz de influenciar meu futuro ou minha vida atual.

Quais foram os principais obstáculos que você teve de vencer no começo de sua prática? Já mencionei o falso senso de responsabilidade, mas não é demais voltar ao tema. É importante perceber que é o Cristo que se dirige ao paciente, e que nós somos apenas testemunhas dessa comunicação. A prática se torna muito mais leve. A teoria metafísica dá lugar à percepção da presença de Deus, à convicção da absoluta inocência do homem criado à Sua imagem. A gente sabe que só Deus está presente, sejam quais foram as aparências materiais. O praticista se dá conta do fato de que não está tentando, por meio de sua oração, fazer aparecer, de repente, o “Deus perfeito e homem perfeito”,2 pois estes sempre estiveram presentes, como a verdade do ser. Sua responsabilidade, como testemunha, não é tornar verdadeira uma harmonia que sempre foi a única realidade, mas sim dar testemunho do fato ininterrupto da existência, totalidade e perfeição de Deus. A Verdade tem a responsabilidade de manifestar sua presença.

Você encontrou também outros obstáculos, como conflito de prioridades entre a prática e a vida familiar, por motivo, digamos, da falta de tempo? O que mais me ajudou foi compreender que há apenas um Deus, manifestando-Se numa expressão unitária do bem. Não penso em termos de fábrica aqui, família lá, igreja acolá, e assim por diante, mas de uma só manifestação do bem, indissoluvelmente una. Para mim, a prática significa estar constantemente disponível para o serviço de Deus, onde quer que eu esteja.

Em outras palavras, estar no emprego, ou no escritório de praticista ou se divertindo com os filhos, expressam a mesma atividade do bem, em diferentes maneiras? Não há divisão entre as diversas atividades. A Sra. Eddy escreve em Ciência e Saúde: “Cientistas Cristãos, sede uma lei para vós mesmos, para que a má prática mental não vos possa prejudicar, quer estejais adormecidos, quer estejais despertos.” 3 Isso para mim quer dizer que nós precisamos estar conscientes da atividade do Cristo em nós, nas 24 horas do dia.

Quando fazemos do tempo uma possessão pessoal, como “meu” tempo, acreditamos que pode faltar tempo. Deus não conhece tempo. Vejamos, por exemplo, a maravilhosa explicação de dia, dada no Glossário de Ciência e Saúde: “Os objetos do tempo e dos sentidos desaparecem na iluminação da compreensão espiritual, e a Mente mede o tempo de acordo com o bem que se desdobra. Esse desdobramento é o dia de Deus, e ‘já não haverá noite’.” 4 Em seu significado espiritual, o “dia” não é constituído de 24 horas. É a infinidade se desdobrando. Pode-se ter falta na infinidade?

Você poderia falar mais um pouco sobre o emprego, como um lugar para se aprender a prática da Ciência Cristã? O maravilhoso é que meu emprego, na fábrica, possibilitou-me refinar minha correta identificação do homem como espiritual. Veja, numa equipe de trabalho pode haver quinze ou vinte tipos diferentes de educação. Sob o ponto de vista da Ciência Cristã, o local de trabalho se converteu para mim num laboratório, onde pude aprofundar meu entendimento do fato de que, na verdade, só existe o homem criado por Deus. Para mim, estar no emprego é como estar em meu escritório de praticista, em casa. Praticar a Ciência Cristã requer que se mantenha permanentemente um estado de pensamento puro e espiritualizado. Isso nós podemos fazer em qualquer lugar, a qualquer momento.

Poderia dar um exemplo concreto? No começo de meu trabalho, na fábrica, tive de enfrentar reações de ordem racista. A situação chegou ao ponto de parecer insustentável, tanto que a única solução humana possível seria deixar o emprego. Mas, como expliquei à minha mulher, eu não iria dar à mente mortal, à mente carnal cheia de ódio da qual falou Paulo, na Bíblia, o maravilhoso presente da minha saída da fábrica. Sabíamos que Deus havia nos mandado para onde estávamos, para praticar a Ciência Cristã. E que, apesar de todas as evidências em contrário, Deus só conhece o homem que Ele criou, que é espiritual e bom. Permanecemos inabaláveis nessa convicção, e hoje tenho a alegria de ir ao trabalho e lá encontrar uma atmosfera de camaradagem e respeito. Foi uma cura completa.

Você uma vez me contou que passava oito ou nove e, às vezes, dez horas por dia estudando a Ciência e recebendo pedidos de oração, além de suas outras atividades. Como você administra tudo isso? A Ciência Cristã é para mim, acima de tudo, uma alegria. Quando algo é feito com alegria, as horas simplesmente não existem! A Ciência tem de ser para nós um modo de vida, só assim poderá se tornar parte de nosso ser.

Qual a principal recompensa da prática? Maior do que a alegria de ver pacientes curados, é a afirmação da revelação da lei espiritual. A maior alegria da prática é a de alcançar uma visão nova. Nenhuma satisfação se compara a essa.

Sra. Eddy disse que o principal propósito da Ciência Cristã era a cura do pecado. Às vezes, no entanto, a Ciência Cristã é vista como apenas um sistema alternativo de saúde. Mas a Ciência é muito mais do que isso, não? De fato, há quem tenha a falsa impressão de que a Ciência seja apenas um sistema de medicina alternativa, espiritual em vez de material. Mas é claro que ela vai muito além. A Ciência se dedica a demonstrar a realidade divina, a totalidade de Deus e a ilimitada natureza do homem à Sua semelhança. Esse homem não é limitado à matéria ou a um corpo físico. A Ciência Cristã revela à humanidade o que Deus é, e o que o homem realmente é e inclui. Revela a todos que Ele está onde nós estamos e que nunca estivemos separados dEle. O resultado desse fato é a cura e a regeneração. Nossa verdadeira prática é curar o mundo de seu falso conceito de Deus, e da idéia errônea de que o homem é decaído e separado dEle. É a verdadeira compreensão de Deus e do homem o que cura, domina o pecado e restabelece a pureza espiritual.

1 Isaías 55:5.  2 Ciência e Saúde, p. 259.  3 Ibidem, p. 442.  4 Ibidem, p. 584.

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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