Quando sentimos que desperdiçamos nossa vida

Boston, E.U.A.

Da edição de dezembro de 1991 dO Arauto da Ciência Cristã

The Christian Science Monitor

 

Banhado Em Lágrimas, um amigo me disse: “Só agora compreendo que desperdicei minha vida.” Uma doença repentina levou-o a refletir sobre a possibilidade de morrer e, ao analisar o tipo de vida que levara, percebeu que até então havia meramente sobrevivido. Sem se dar conta, ele estava de luto profundo. De luto pela vida que nunca vivera e que poderia ter vivido.

Lamentava ter passado a vida inteira acumulando dinheiro, em vez de se dedicar a seu genuíno talento artístico. Lastimava-se por nunca ter tido filhos e por um casamento que era mais uma guerra surda. Sentia pesar por ter levado uma vida de poucos amigos e ainda menos alegrias. E agora, ao enfrentar o crepúsculo de sua vida, sentia-se desesperado.

Segurei sua mão e tentei confortá-lo. Talvez esse gesto tenha ajudado mais do que qualquer coisa que eu tenha dito naquele dia. Ele se animou um pouco e agradeceu-me por escutá-lo. Disse-me que, de alguma maneira, agüentaria tudo aquilo.

Mais tarde, ao pensar nele, meu coração se entristeceu. Para dizer a verdade, se entristeceu por todos nós, que passamos nossos momentos sombrios de solidão e desespero. Tantas pessoas vivem uma vida tão difícil, sem nenhuma luz nem esperança. O que eu queria dizer ao meu amigo, mas não disse, por sentir que ele não me compreenderia naquele momento, era que a vida não tem de ser um caminho sombrio, cujo fim é a extinção. A vida pode ser e na verdade é, muito mais do que isso, se a compreendermos.

O que eu queria era falar-lhe da vida espiritual. Não aquela de um asceta religioso ou de um santo, que poucos alcançam. Nem do “espiritualismo pop” que é o modismo mais recente. Refiro-me à vida espiritual profunda, plena de satisfação, que homens e mulheres comuns podem descobrir e viver, aqui e agora.

O que nos leva a uma vida verdadeiramente completa e significativa, é descobrir algo sobre Deus e sobre nosso relacionamento com Ele, do qual temos agora apenas uma idéia muito vaga. O fato é que, quer tenhamos percebido, quer não, Deus sempre esteve presente em nosso viver. Ele é a causa primordial de todo bem verdadeiro. Logo, se desejamos que esse bem aumente e se estabeleça em nossa vida permanentemente, temos de aprender mais acerca de nosso relacionamento com Ele e descobrir quem realmente somos.

Isso foi o que Cristo Jesus, o maior amigo da humanidade, procurou nos mostrar. Ele via o homem não como um ser miserável, pertencente a uma raça de mortais pecadores, mas via-o como filho de Deus e percebia seu potencial espiritual. Ele chamava a Deus de “Pai nosso”, conhecia-O como um Deus infinitamente terno e bom, que ama a cada um de nós como a imagem espiritual de Seu ser. No presente, talvez reconheçamos essa nossa filiação apenas vagamente mas, apesar disso, podemos reivindicá-la e comprová-la como sendo a realidade a nosso respeito.

Há uma bela passagem na Bíblia que descreve isso. Diz: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus. … Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é.”

Quer tenhamos oito anos ou oitenta, quer nossa vida tenha sido humanamente um sucesso ou um desastre, o fato demonstrável permanece: “… agora somos filhos de Deus.” O problema é, naturalmente, que “… ainda não se manifestou o que havemos de ser.” Temos agora somente um fraco vislumbre da realidade e da glória refletida na imagem e semelhança de Deus, o homem verdadeiro, que é inteiramente espiritual e imortal. Contudo, para começar uma vida nova, temos de partir de algum ponto. E a aceitação do Cristo, de nosso parentesco e relacionamento espirituais com Deus, é o ponto de partida para renovar e redimir nossa vida.

A Sra. Eddy compreendeu profundamente essa verdade. Ela descobriu o que percebeu ser a Ciência e seu Princípio divino, subjacente às curas e palavras de Jesus. A Sra. Eddy fundou a Ciência Cristã na mesma base de cura que Cristo Jesus ensinava, isto é, no poder de Deus, o Espírito. Ela escreve em seu livro principal, Ciência e Saúde: “Admitir no íntimo que o homem é a própria semelhança de Deus, põe o homem em liberdade para assenhorear-se da idéia infinita. Essa convicção fecha a porta à morte, e abre-a de par em par sobre a imortalidade. A compreensão e o reconhecimento do Espírito têm que vir finalmente, e por isso é melhor aproveitar nosso tempo em resolver os mistérios do ser pela compreensão do Princípio divino. Por ora, não sabemos o que o homem é, mas certamente o saberemos quando o homem refletir Deus.”

Acaso você sente que talvez seja muito tarde para modificar sua vida, ou que ela foi desperdiçada até agora? Hoje uma vida nova pode começar para todo aquele que estiver disposto a descobrir quem realmente é. O que você tem a perder, a não ser a tristeza e a miséria que a vida material traz? E o que você tem a ganhar, a não ser a alegria e a bondade que são legitimamente suas, na qualidade de filho de Deus?

Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus.

Mateus 5:3

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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