Receptividade à Luz da Verdade

HAROLD DAVID JOFFE

Da edição de abril de 1974 dO Arauto da Ciência Cristã

A Mente onisciente está para sempre no ponto da iluminação espiritual e infinita. A sr.a Eddy escreve em Retrospecção e Introspecção: “Toda consciência é Mente, e a Mente é Deus. Portanto, existe uma Mente só; e essa única é o bem infinito, que nos proporciona toda a Mente por reflexo, e não pela subdivisão de Deus.” 1

A Ciência Cristã ensina que o homem é o reflexo da Mente divina, a expressão ou emanação do Espírito infinito que tudo inclui. Ele é o efeito perfeito da única causa perfeita e só pode expressar aquilo que constitui a natureza dessa causa.

De um ponto de vista humano, é essencial sermos receptivos a essas verdades sobre Deus e o homem, pois tal receptividade é a porta aberta para o Cristo sanador, a Verdade. A receptividade é oriunda de um ardente desejo e anseio de encontrar a Verdade, e de uma humildade que espontaneamente renuncia ao sentido mortal das coisas, inclusive aos preconceitos e às opiniões preconcebidas.

As idéias espirituais, que iluminam a consciência e que nos curam, provêm da Mente infinita. A sr.a Eddy escreve em Ciência e Saúde: “A Ciência Cristã apresenta desdobramento, não acréscimo; não manifesta evolução material alguma da molécula à mente, e sim um transmitir-se da Mente divina ao homem e ao universo.” 2 A luz da Verdade nos revela aquilo que já somos e eternamente havemos de ser.

O que é que parece estar nos impedindo de ser receptivos a essa luz? Talvez o egoísmo, a apatia, a satisfação própria, o orgulho, a inveja ou a crença de haver vida, inteligência e substância na matéria. A substituição desses pensamentos negativos pelas qualidades positivas de amor abnegado, imolação de si mesmo, pureza e inclinação espiritual, desdobrará a perfeição de Deus e do homem.

Nessa revelação, poderá parecer à pessoa que suas condições humanas estão melhorando. Uma afirmação mais correta seria a de que a luz eterna do Cristo está banindo as trevas da ignorância e revelando proporcionalmente o ser tal como ele é e sempre foi. O profeta Isaías afirma essa verdade de maneira muito bela: “Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti.” 3

Muito embora a terra e os céus possuam belezas que alegram o coração, elas são apenas uma alusão à beleza espiritual que realmente está presente. Até mesmo de um ponto de vista material, o olho humano tem um alcance limitado. Lincoln Barnett, autor americano, salienta: “É evidente. .. que o olho humano não responde à maior parte das «luzes» no mundo, e que aquilo que o homem consegue perceber da realidade que o circunda, é distorcido e enfraquecido pelas limitações de seu órgão visual.” 4

À luz da Ciência Cristã, esta declaração de Paulo adquire um grande significado: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.” 5 Cristo é a luz que brilha nas trevas e revela progressivamente a perfeição infinita do ser.

Jesus discorria com freqüência acerca dessa luz e, ao curar, demonstrava a presença dessa luz. Referindo-se ao Cristo, sua identidade espiritual, disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida.” 6 Em todos os seus ensinamentos, mostrou-nos que devemos seguir nas pegadas dele e cada vez mais fazer as obras que ele fez, provando, passo a passo, que Deus é Tudo-em-tudo.

A seguinte experiência nos fornece um exemplo da maravilha e do poder da luz da Verdade, quando se é receptivo a ela. Um jovem estudante de Ciência Cristã fez uma viagem de negócios por uma parte da África do Sul, que estava assolada por forte seca. O gado morria às dezenas de milhares, pois nada que pudesse servir de alimento para o gado crescia nos campos e os rios que desde tempos imemoriais jamais haviam falhado, estavam secos. Os granjeiros estavam à beira da ruína.

O Cientista havia lido nos jornais acerca desta séria crise, porém somente chegando ao local é que se deu conta da extensão do problema. Começou, então, a orar com afinco esforçando-se para ver a perfeição da criação espiritual de Deus a fim de ajudar, dessa maneira, a aliviar a situação. Em quase todos os seus momentos livres durante o dia, e também às vezes até altas horas da noite, esforçava-se para perceber a verdade que, como sabia, podia curar qualquer problema. Sem dúvida alguma, havia também outras pessoas orando fervorosamente.

Durante essas horas de meditação em busca da verdade, parecia-lhe estar lutando em profundas trevas mentais, sem nenhum vislumbre de luz. Na manhã do terceiro dia, abriu um exemplar do Christian Science Sentinel, e qual não foi sua alegria e esperança, ao ver que o primeiro artigo intitulava-se: “Fome e Sede.”

O artigo tinha por base a quarta bemaventurança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” 7 No artigo estava bem claro que somente Deus é o bem e que somente Deus nos pode saciar. Ao elevarmos a consciência acima das tentativas mortais, sabendo que na Verdade toda necessidade está saciada, manifesta-se naturalmente em nossa existência exteriorizada a concretização da abundância que enche nosso pensamento.

O estudante viu que estivera tentando retificar uma situação material adversa ao invés de perceber que esta era, em seu todo, fundamentalmente um estado de consciência. Agora podia ver que a assim chamada consciência humana está realmente faminta e sedenta, não em busca de coisas materiais, mas apenas de justiça e Verdade. Com esse pensamento adveio-lhe simultaneamente uma maravilhosa percepção de que a Verdade é Tudo-em-tudo, e que ela enche todo o espaço e toda a consciência. Essa percepção foi tão convincente que teve a certeza de que a necessidade fora atendida.

Cheio de alegria e gratidão pela eterna presença de Deus, deixou o país de volta ao seu lar, num dia ensolarado, claro e sem nuvens. Quando, naquele mesmo dia, chegou a seu destino, ficou sabendo, pela manchete de um jornal, que os granjeiros estavam na iminência de falir, mas permaneceu confiante no poder que Deus tem de atender a todas as necessidades humanas. No dia seguinte, os jornais anunciaram que “uma pesada chuva, após sete meses, havia posto fim à seca”.

O que havia feito com que o Cientista estivesse preparado para ser receptivo à luz da Verdade que lhe revelou o glorioso fato da plenitude de Deus? Fora o seu amor pela Ciência Cristã, sua confiança inabalável de que há uma solução acertada para cada problema, e também o seu desejo abnegado de demonstrar que o reino de Deus está realmente aqui na terra. Mais tarde, reconheceu que haviam sido comprovadas a coerência e a lógica das seguintes palavras da sr.a Eddy: “A metafísica reduz as coisas a pensamentos e substitui os objetos dos sentidos pelas idéias da Alma.” 8

Elevar o pensamento acima do sentido de insuficiência e ceder ao fato de que existe apenas um Ego, uma única Mente que tudo sabe, ajuda-nos no trabalho de trazer cura ao mundo. Aumenta-nos consideravelmente o estado de receptividade e demonstra progressivamente que o homem é agora mesmo o reflexo perfeito da Mente onisciente.

1 Ret., p. 56;  2 Ciência e Saúde, p. 68;  3 Isaías 60: 1, 2;  4 The Universe and Dr. Einstein (New York: 1957), p. 13;  5 1 Cor. 2:9, 10;  6 João 8:12;  7 Mateus 5:6;  8 Ciência e Saúde, p. 269.

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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