Novas Oportunidades

RAYMOND JACKSON ALLEN

Da edição de março de 1974 dO Arauto da Ciência Cristã

Muitas pessoas vivem à sombra do arrependimento por erros passados e oportunidades perdidas. Talvez algumas tenham até aceito o ponto de vista expressado por um dos personagens de Shakespeare:

Os negócios humanos apresentam altas como as do mar: aproveitadas, levam-nos as correntes à fortuna; mas, uma vez perdidas, corre a viagem da vida entre baixios e perigos.1

A maioria das pessoas rejeita essa perspectiva sombria. Mas, será que todos nós já não tivemos alguma experiência com o problema das oportunidades perdidas — se não as grandes, ao menos as oportunidades diárias?

Muitas vezes as oportunidades são encaradas como estando fora de nós, como que aparecendo e desaparecendo a intervalos variados, e como sendo o resultado do acaso, em vez de ser a ação de uma lei fixa. Isso leva a uma perspectiva estóica, à aceitação de nossos desapontos com resignação ou com um mero gesto de indiferença.

Ora, talvez possamos fazer algo a respeito. Vejamos.

Para começar, podemos parar de perder tempo com arrependimentos vãos. Podemos trabalhar a partir da base de que o único mérito em rever o passado consiste em aproveitar as lições que ele ensina. Essas podem ajudar-nos a estar mais alerta a oportunidades futuras, e mais aptos, sábios e firmes em nossas ações a elas relacionadas.

A sr.a Eddy nos dá esta reconfortante segurança e prudente conselho: “O Ser incansável, paciente com a procrastinação do homem, propicia-lhe, a cada hora, novas oportunidades; mas se a Ciência faz uma exigência mais espiritual, exortando o homem a elevarse mais, talvez ele se torne impaciente, ou duvide que seja viável cumprir com o que lhe é pedido.” 2

Poderíamos perguntar-nos: “Novas oportunidades para fazer o quê?” Se estamos pensando em novas oportunidades para adquirir mais bens materiais, para engrandecer-nos, para ser mais populares, para tornar-nos mais seguros e bem acomodados na matéria, para promover interesses egoístas e coisas parecidas, não serão providas pelo “Ser incansável”. Mas se estamos procurando oportunidades de prestar serviços desinteressados, de abençoar a outros com atos de bondade, de curar a nós e a outros, de usar os talentos construtivamente — se estamos procurando oportunidades de crescimento espiritual e de expressar em medida crescente a natureza divina — então tais oportunidades serão constantemente providas por nosso Pai celeste.

Será que está bem claro para nós qual o tipo de oportunidades estamos procurando, e será que estamos alerta espiritualmente o suficiente para reconhecê-las? Acaso estamos dispostos a fazer o trabalho necessário para purificar nossos pensamentos e motivos? Se assim for, então precisamos perseverar em nossos esforços, para que a promessa indicada pela oportunidade se cumpra em nossa vida. Devemos estar preparados e ser dignos dela, para que possamos receber as bênçãos de Deus.

O surgimento de novas oportunidades na experiência humana pode ocorrer sob diversas formas: um novo emprego, eleição para um cargo na igreja, uma bolsa de estudos, casamento. Esses trazem o maior bem e alegria às nossas vidas quando resultam de uma maior devoção a metas espirituais — quando resultam de uma maior espiritualidade. Cristo Jesus disse: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino [o reino de Deus] e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” 3

Os grandes personagens da Bíblia estavam conscientes das oportunidades com que Deus lhes estava provendo constantemente. José, por exemplo, foi capaz de encontrar oportunidades nas situações menos promissoras. Esse fato também é verdadeiro com relação a Moisés no deserto. Cristo Jesus, naturalmente, deu o exemplo supremo de captar a oportunidade sempre presente para provar que o homem é o filho de Deus.

Como filho de Deus, o homem herdou todo o bem e a habilidade de expressar esse bem. Deus está dizendo a cada um de nós o que o pai disse ao irmão mais velho do filho pródigo: “Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.” 4

Podemos compreender que nunca é tarde demais — nunca é tarde demais para receber a cura, para dar um passo à frente no progresso espiritual, para atingir um objetivo valioso. Podemos sempre alegrar-nos no fato de que novas oportunidades para expressar nossa verdadeira e perfeita identidade estão presentes a cada hora. Se enfrentarmos o desafio da exigência espiritual para elevar-nos ainda mais, poderemos estar conscientes dessas oportunidades e usá-las para abençoar a nós e a outros.

Uma vez que a oportunidade está sempre presente e sempre à nossa disposição, por que esse fato não é mais completamente expressado em nossa existência? Talvez não o estejamos aceitando de todo coração. Talvez estejamos fazendo reservas mentais baseando-nos num ponto de vista limitado e falso sobre o homem e seu parentesco com Deus. No livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde, a sr.a Eddy escreve: “Mais cedo ou mais tarde, aprenderemos que os grilhões da capacidade finita do homem são forjados pela ilusão de que ele vive no corpo em vez de na Alma, na matéria em vez de no Espírito.” 5

Vivendo em Deus e assim manifestando as qualidades espirituais que são nossas por reflexo, encontramos ilimitadas oportunidades que estão à nossa disposição juntamente com a habilidade de utilizá-las integralmente. A percepção desse fato é motivo de profunda gratidão baseada em humildade genuína, que reconhece Deus como sendo a fonte de todas as nossas bênçãos. Ao mesmo tempo, apresenta um desafio — o desafio a que Paulo se referia em sua carta aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” 6

Evangelizar o eu humano — não é isto o que precisamos fazer se queremos cumprir a exigência espiritual e assim viver “a cada hora, novas oportunidades”? No livro Miscellaneous Writings, a sr.a Eddy mostra claramente como isso é feito: “A renúncia a tudo o que constitui o assim chamado homem material, e o reconhecimento e consecução de sua identidade espiritual como filho de Deus, é a Ciência, que abre as próprias comportas do céu, donde o bem flui a todos os canais do ser, limpando os mortais de toda impureza, destruindo todo sofrimento, e demonstrando a verdadeira imagem e semelhança. Não há outro caminho sob o céu pelo qual possamos ser salvos, e o homem possa se revestir de poder, majestade, e imortalidade.” 7

No livro de Lamentações lemos: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.” 8 Essas misericórdias representam o amor de Deus para com o homem e as oportunidades abençoadas que esse amor desdobra. Pense nisso — oportunidades infindáveis, que se renovam cada manhã!

1 Júlio César, ato IV, cena 3;  2 Christian Healing, p. 19;  3 Mateus 6:33;  4 Lucas 15:31;  5 Ciência e Saúde, p. 223;  6 Gálatas 5:25;  7 Mis., p. 185;  8 Lament. 3:22, 23.

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Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
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