A Espiritualização do Pensamento por Meio da Força Moral

A Espiritualização do Pensamento por Meio da Força Moral

LENORE D. HANKS

Da edição de junho de 1974 dO Arauto da Ciência Cristã

A maioria das pessoas está inclinada a pensar em “moral” como referindo-se simplesmente à capacidade de distinguir entre o certo e o errado, mormente em conexão com o comportamento sexual. Mas um dos assuntos mais fascinantes a que nos podemos dedicar no estudo da Ciência Cristã* é o desdobramento da força moral. Suas possibilidades não têm fim. Além disso, torna-se rapidamente evidente, quando pesquisamos na Bíblia e nos escritos de autoria de Mary Baker Eddy com o auxílio das Concordâncias, que a força moral é básica. É ela o requisito prévio para a consecução de qualquer bem que desejamos, quer isso envolva saúde, receita, melhor relacionamento humano, felicidade autêntica ou até mesmo melhores condições mundiais.

Entretanto hoje em dia, com tanta atenção focalizada no relacionamento marital, premarital e extramarital, o aspecto sexual da questão de moralidade merece uma pesquisa devotada da parte dos Cientistas Cristãos, se bem que não baste encarar apenas esse aspecto da questão.

Em qualquer período no qual se altere o modo de viver, há sempre pressão sobre o indivíduo, muitas vezes uma forte pressão, para que este re-defina seus valores, ajuste seus padrões de acordo com os conceitos populares a fim de que possa fazer o que seus semelhantes estão fazendo, sem que se sinta com a consciência pesada ou receba críticas de parte daqueles a quem ama e respeita. Então, se essa troca de valores não é aceita com rapidez, o indivíduo é pressionado a duvidar desses valores: Não estarão os nossos padrões ultrapassados? Quem poderá dizer o que está certo ou errado? Haverá algum valor intrínseco em um pedaço de papel rotulado como certidão de casamento?

Não há nada de errado em duvidar. A Ciência Cristã poderia não estar aqui hoje se os indivíduos em todas as épocas não tivessem levantado dúvidas. O erro está em acomodar-se com racionalizações em vez de persistir na dúvida até que a pesquisa e a oração revelem respostas válidas e satisfatórias.

É nesse ponto que entra o desdobramento das idéias. E não há nada mais estimulante do que acompanhar o desdobramento da idéia moral do começo ao fim da Bíblia e nos escritos de Eddy.

É interessante que nem a palavra “moral” nem a palavra “imoral” aparecem nas Escrituras. Mas o conflito que se trava entre os dois conceitos pode ser acompanhado por meio do estudo de palavras como “adultério”, “lascívia” ou da expressão “relações sexuais ilícitas”.

Esses termos relacionam-se na Bíblia à extrema gratificação dos sentidos, a apetites, condescendência, idolatria, feitiçaria e o culto de Baal, — todo desejo excessivo pela materialidade em todas as suas formas. E quando tais tendências predominavam, o povo sofria. Perdia batalhas, era levado em cativeiro, passava fome e padecia outros infortúnios. Parecia estar isolado de Deus. Mas ao abandonar esses enganos, prosperava. Moisés havia tentado ajudar o povo, estabelecendo leis que o impedissem de cometer excessos. Todos os profetas pregavam contra práticas erradas.

Mas foi Cristo Jesus quem elevou radicalmente a moralidade para além do simples comportamento físico e revelou seus aspectos espirituais. Os ensinamentos dele assinalavam que é a pureza de pensamento que se requer e por meio das Bem-aventuranças e suas bênçãos, é possível perceber-se em que implica a força que se gera ao serem expressadas qualidades espirituais em vez de qualidades materiais. Contudo, Jesus deixou claro que não viera para revogar a lei que Moisés havia estabelecido.

Paulo dá-nos mais um vislumbre da força moral em sua epístola aos romanos. No capítulo sete há uma maravilhosa análise da lei e da luta que se trava no ser humano para dominar as sugestões da materialidade, da animalidade. Ele deplora as tentativas da vontade humana, a vontade da carne, que pretende manter as pessoas no cativeiro mortal, e vê que a lei Mosaica, embora ponha em realce o pecado que de outro modo estaria indefinido, é incapaz de, por si só, resolver a luta. A libertação tem de vir do próprio Deus, por meio do Cristo. Paulo continua no capítulo oito a discorrer sobre a questão da libertação, que virá trazer liberdade completa do pecado, até sem qualquer condenação. “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte.” 1 Quaisquer enganos passados são apagados, reconhecendo-se e expressando-se, de todo coração, a natureza crística.

Se escolhemos a Ciência Cristã como nosso modo de vida, se nos apoiamos nela para o atendimento de nossas necessidades e se, por meio de seus ensinamentos, estamos nos empenhando por avançar para fora das limitações materiais, no encalço de um entendimento mais claro de nossa identidade espiritual, é preciso que prestemos atenção à orientação que a Ciência Cristã nos dá.

Na página 115 de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Eddy dá-nos a “Tradução Científica da Mente Mortal” e o segundo grau dessa tradução está descrito como “moral”. Inclui as qualidades de “humanidade, honestidade, afeto, compaixão, esperança, fé, mansidão, temperança”.

Como Jesus, Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, mostrou que a moralidade é o padrão do comportamento, um requisito imprescindível para a obtenção da espiritualidade. Ela o leva muito além de simplesmente decidir entre o certo e o errado. É nosso modo de vida. Além disso, continuamente acentua que sem as qualidades morais não podemos esperar ver nossas orações atendidas, nossas necessidades supridas. “Para curar um padecimento corpóreo é preciso levar em conta toda lei moral que houver sido violada e repreender o erro.” 2

Ao estudarmos este assunto começamos a ver que todo poder que expressamos está em proporção à nossa bondade. Esse poder atua mediante a lei, a lei moral. Torna-se evidente que tudo quanto possuímos, tudo o que temos esperança de alcançar, depende de nossa adesão a essa lei.

Mas o desdobramento não pára aí. Ao sondar mais profundamente a Bíblia e os livros de autoria de Eddy, compreendemos o que Paulo viu — que o ânimo verdadeiramente moral é uma força que se origina no Espírito. “A lei de Deus é a lei do Espírito, uma força moral e espiritual da Mente imortal e divina” 3 são as palavras de Eddy.

Dessa compreensão emerge a força moral. Ela está despida de qualquer conotação física. Sua consistência é espiritual, uma força da Mente divina. Não é algo que os indivíduos lutam por obter. Não é uma virtude pessoal que se consegue pela escolha. É o poder espiritual que atua em nós e no mundo. É o meio pelo qual finalmente todo mal pode ser superado e eliminado. E porque a força moral pertence à Mente, é ela refletida por nossa identidade espiritual. Faz parte de nossa verdadeira constituição. E toda evidência de força moral que se manifeste em nossa natureza humana, precisa ser estimulada e acalentada.

Ora, como é que isto tudo se aplica à nossa situação atual? Como é que responde a estas dúvidas estabelecidas anteriormente: Não estarão os nossos padrões ultrapassados? Quem poderá dizer o que é certo ou errado? Haverá algum valor intrínseco em um pedaço de papel rotulado como certidão de casamento?

Sabemos que uma compreensão de nossa identidade espiritual governa e molda a vida humana e tudo o que experimentamos. Se nossa meta é expressar mais e mais dessa identidade real, então precisamos esforçar-nos para ver que a existência humana está cada vez menos dominada pela materialidade e todos seus instintos e sugestões.

Em Ciência e Saúde temos a meta elevada claramente estabelecida. Assim como nos diz que não há doença ou morte, ainda que possamos não tê-lo provado, assim nos diz também que o casamento simboliza a unidade espiritual e que o ato sexual tem por fim só a propagação da espécie. Mas seus ensinamentos não são tão absolutos ao ponto de excluírem a necessidade humana, o reconhecimento de que nem todos atingimos essas metas finais. Insiste conosco para que trabalhemos em direção a elas, controlando impulsos materiais e negando as pretensões da matéria, continuemos a elevar-nos espiritualmente por meio da força moral.

Quanto ao que devemos fazer ou não, as respostas estão na Bíblia e nos escritos de Eddy. Não deixam eles bem claro que, até ser atingida a profecia bíblica na qual nem casamos nem somos dados em casamento, a Ciência Cristã apóia o estado matrimonial? Sustenta a lei que proíbe o sexo premarital ou extramarital. Reconhece o casamento como o meio legal de proteger e salvaguardar os direitos de dois parceiros que escolheram partilhar aqui a experiência de sua vida. Importa que os votos feitos na cerimônia de casamento se apliquem num significado espiritual de amor e de honra no seu sentido mais elevado. Então a obediência será libertação; o controle, liberdade; e o amor ao bem — à moralidade — será poder e domínio.

* Christian Science — pronuncia-se: kris’tiann sai’ennss. Tradução no Brasil é Ciência Cristã  1 Romanos 8:1, 2 (Conforme versão inglesa da Bíblia);  2 Ciência e Saúde, p. 392;  3 Miscellaneous Writings, p. 257.

*Versão editada e adaptada aos anos 2000.

Anúncios

Sobre cienciacristabrasil

A Ciência Cristã ou Christian Science foi descoberta por Mary Baker Eddy em 1866, nas proximidades de Boston, MA, EUA. Baseia-se na vida, palavras e obras de Jesus Cristo. Ela é um movimento religioso global. Está aberta a todos no livro: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Eddy.
Esse post foi publicado em ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ, FORÇA MORAL, MARY BAKER EDDY e marcado , , . Guardar link permanente.

2 respostas para A Espiritualização do Pensamento por Meio da Força Moral

  1. Luzimar Patricio de A Alves disse:

    Os escritos que tenho recebido da Ciência Cristã no Brasil são fantásticos. Obrigada pelo carinho e atenção ao qual tens demostrado a minha pessoa . Obrigada.
    Por curiosidade como obtenho o livro CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de autoria de Mary Baker Eddy? Qual o seu valor?.
    Obrigada pelo carinho. Luzimar Alves

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s